quinta-feira, abril 21, 2016

Reflexões sobre uma criança vítima da Ditadura Militar e Comunista

Estava aqui refletindo sobre esta foto acima, que vi, hoje, circulando em alguns posts no facebook, de um menininho de 1 anos e 8 meses, Carlos Alexandre Azevedo, que, segundo relatos de seus pais, foi torturado pela Ditadura Militar, O menino, segundo uma matéria da IstoÉ, sobreviveu à passagem pelo Deops paulista, assim como seus pais. Aliás, o pai, Dermi Azevedo, é jornalista e cientista político, e a mãe, Darci Azevedo, pedagoga aposentada. Ambos ainda vivos e com uma filha adulta.
Carlos Alexandre cresceu problemático, devido à vida fugida e conturbada dos pais comunistas e autores de livros com ideologias marxistas, e se tornou uma pessoa cheia distúrbios psicológicos: depressão, fobia social, agressividade... Se matou em 2013, com uma overdose de medicamentos. Quando começou a se abrir para a vida e a socializar, foi quando a Ditadura começava a perder força e os pais se mudaram de Piracicaba para São Paulo. “(Piracicaba) Era o único lugar em que eu tinha amigos. Foi aí que me isolei de vez. Parei de estudar e me tranquei em casa", relatou o rapaz à revista IstoÉ, em janeiro de 2010.
Pois bem, seguem minhas reflexões:
Sem dúvida, alguém que é capaz de torturar uma criança de 1 ano, não poderia nem ser considerado humano. Sou mãe de 2 meninos e nem posso imaginar tal coisa. Mas, às vezes, para entendermos certas situações, é preciso fazermos o sacrifício de imaginar. E eu queria entender o porquê de tudo isso.
Pensemos: por que a tortura era (e ainda é) usada? Pra que serve esta técnica? Para obter informação. Certo? E, segundo entrevista da IstoÉ, foi o que aconteceu: “Os meus pais foram presos e eu fui usado para pressioná-los”. Carlos Alexandre, durante a entrevista, diz não se lembrar de praticamente nada, apesar dos pesadelos durante toda a infância, quando acordava gritando pela mãe, perguntando pelo barulho de trem (o Deops onde ficou localizava-se na estação da Luz). Carlos sabe apenas fragmentos da história, contada pelos pais, que evitam tocar no assunto. 
Apesar de não estar presente durante o episódio, o pai conta, baseado em relatos da babá, que o menino levou uma bofetada que fez sangrar a boca, por ter chorado assustado, quando a polícia invadiu sua casa, na zona sul de São Paulo. Teria batido a cabeça e ficado sequelado, numa outra situação em que foi jogado no chão, também numa busca da polícia em sua casa. O pai foi preso primeiro, ficou detido por 4 meses, e a mãe depois, ficando encarcerada por 40 dias, sem agressões físicas, mas muita tortura psicológica, segundo declara. O garotinho esteve, neste período, sob os cuidados dos avós. Um dia, porém, foi levado ao Deops, onde foi colocado diante dos pais e ameaçado de tortura caso o pai ou a mãe não abrissem a boca.
Foi aí que me coloquei no lugar dos pais daquela criança. Imaginei o pequenino menino assustado, chorando ou segurando o choro por medo de levar outro tapa, sendo trazido pela mão, numa estratégia sórdida e apelativa. O visualizei querendo vir me abraçar, sem poder. Me imaginei algemada e impotente, querendo pegá-lo, abraçá-lo e protegê-lo.
Pois é... Neste momento concluí: jamais poderia ser uma guerrilheira ou engajada em qualquer causa político-ideológica ao ponto de aguentar ver um filho meu sendo ameaçado e permanecer calada. Na verdade, não aguentaria ficar tanto tempo longe dele. Li, em um post, de fonte não segura, que o menino chegou a ser torturado com choques elétricos. Em nenhum momento ele ou os pais contam isso na entrevista. Talvez, o pai conte eu um livro que tem publicado. Se o garoto passou mesmo por esta crueldade, me enojo de seus algozes, mas ainda mais de seus pais que permitiram, calados, que chegassem a tal ponto, sem delatar ninguém.
Mas desconfio enormemente que tal fato é mentira. Acontecimento tão grave não passaria batido numa entrevista especial à IstoÉ. Uno isto ao fato de serem obrigados a se mudar, logo após a soltura, para uma cidade no interior de Natal, sob vigilância militar, e concluo que a simples presença do filho serviu para os militares obterem as informações que precisavam. Eu teria feito o mesmo há mais tempo. E digo isso sem medo de qualquer crítica ou julgamentos. Meu filho, certamente, viria na frente da "causa". Nenhuma ideologia política vale mais que um filho ou minha vida.
Lamento imensamente pela vida triste deste menininho e pelo fim trágico que teve. Uma vítima da Ditadura Militar? Sim, sem dúvida. Mas também uma vítima do Comunismo, sistema igualmente ditador pelo qual lutaram seus pais e o envolveram sem que ele pedisse ou soubesse do que aquilo tudo se tratava. Não teve escolha, mas foi introduzido naquele mundo fanático da "Revolução Socialista" e colheu cada fruto que não plantou.

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