terça-feira, março 17, 2015

Pitty causa polêmica e gera interpretações erradas sobre seu tweet

Algumas mídias "chapa branca", como o Pragmatismo Político, por exemplo,estão usando um tweet da cantora Pitty para dizer que ela está a favor do PT ou que ela foi contra os protestos de domingo. Puro erro de interpretação de texto. Pitty escreveu o seguinte: 
“Pressionar qualquer governo por melhorias sim, marchar ao lado de extremistas de direita, fanáticos religiosos e saudosos da ditadura JAMÉ (sic)”
Vamos lá galera boa em Português, o que vocês entendem disso? Eu entendi que ela é a favor que a população pressione o governo, SIM, MAS não participaria por conta da presença de extremistas de direita que pedem "intervenção militar" (isto, pra ela, remete ao retorno da ditadura) e de "fanáticos" (sic) religiosos (sabemos que líderes evangélicos e católicos convocaram seus fiéis para o protesto). E PONTO.
Daí a entenderem que ela é contra o impeachment de Dilma, que ela é petista ou apoia o governo está longe pra-ca-ram-ba. O pior é que justamente a galera maluca que ela tanto queria distância, viu o tal tweet e encheu sua conta de insultos e xingamentos. Queira ou não, parece que a cantora tinha algumas "personas non gratas" como fãs a seguindo naquela rede social. Muito chato isso! Digo a ela o mesmo que disse a um repórter, durante a manifestação, que entrevistava uma senhora que pedia "Intervenção Militar": "O pensamento dela não representa o da maioria! Ouça outros manifestantes."
As pessoas precisam aprender a "trocar ideia" ao invés de sair invadindo a conta ou posts alheios para destilar seu ódio e intransigência. Cada um pensa o que quer e, se não concorda, peguntar "por que?" já é um começo de diálogo saudável.
Eu, por exemplo, não sou a favor que peçam Intervenção Militar (apesar de entender bem a diferença de "intervenção" e "ditadura"). Também peço a Deus que o Brasil nunca mais conheça na prática o que é uma Ditadura. Necessito de liberdade de expressão e nem sei como seria se isso me fosse tirado, seja por uma Ditadura Militar ou Comunista. No entanto, sei, também, que este governo está atingindo a TODOS os brasileiros, independente de lado, partido, religião, raça, classe, orientação sexual... enfim. A manifestação estava aberta a TODOS que quisessem expressar sua insatisfação e indignação com esta desmoralização política e crise econômica que aí está. Justamente por não aprovar ditaduras, censuras, que me prestei a "marchar" ao lado de esquerdistas arrependidos, centro-direitas, direitas, extremo-direita e que nem sabe pra que lado ir. Ali cada um expôs sua opinião e, concordando ou não, respeitei e me uni APENAS no que tínhamos em comum: pressionar o governo, o Legislativo e o Judiciário. Acho que Pitty perdeu a chance de mostrar, na prática, o respeito que diz ter às diferenças.
‪#‎SóAcho‬

segunda-feira, novembro 10, 2014

Os novos "donos da rua"


Os "esquerdinhas" estão tontos com o novo cenário político que se forma no Brasil. Não conseguem entender ou se situar. Eles, que não são mais o que foram, tentam manter intacto um passado que não volta mais. Uma tentativa frustrada, na verdade, de continuarem se apresentando como os "revolucionários socialistas", os "rebeldes" ou os "inconformados com o sistema vigente". A eles pertencia o direito de ir às ruas e protestar. Era quase uma exclusividade.
Mas o país mudou, tomou um novo rumo, uma nova cara. Após 12 anos (e mais 4 à frente, após o resultado acirrado nas últimas eleições) com seus representantes no poder e sem mostrarem muito a que vieram - ou melhor, mostrando que vieram para uma finalidade oposta à esperada - , os militantes, que sempre souberam o seu lugar - "à esquerda" -, parecem agora estar passando por uma crise de identidade, meio perdidos na "geografia política". Ainda assim, com esta situação configurada e tão visível a quem está atento às transformações nos setor, velhos e novos socialistas insistem em manter o status "na marra".
Fazem de tudo para deixar as coisas como sempre foram e cada qual em seu lugar: "Direita, volver! Esquerda, volver!" Algo muito paradoxal para quem se diz "revolucionário". Lançam mão de veículos midiáticos, capricham nos artigos e encomendam matérias. A ideia é manterem vivos os conceitos que, por décadas, definiram quem é quem. O que eles não contavam, no entanto, é que no meio do caminho surgissem novos grupos capazes de agregar características de ambos os lados. Trata-se de uma geração muito insatisfeita com o "status quo" político e social. Essa galera percebeu que não se adequa às velhas propostas socialistas da esquerda e nem gostaria de retornar ao modelo de direita que se mostrou pouco eficaz, principalmente na área social.

"Fazem de tudo para deixar as coisas como sempre foram e cada qual em seu lugar: "Direita, volver! Esquerda, volver!" Algo muito paradoxal para quem se diz 'revolucionário'"

No entanto, o que realmente funcionou como "menthos" na geração "coca-cola", foi um problema latente, que já existia em governos passados, mas parece ter ganhado uma versão atualizada e turbinada no governo atual: a corrupção. Esta, que tem levado bilhões dos cofres públicos e obrigado o brasileiro a tirar cada vez mais dinheiro do bolso em forma de taxas e impostos para repor os desvios. Em contrapartida, quanto mais se paga, mais se vê serviços públicos declinarem na qualidade e na eficiência. Nunca se viu a saúde tão caótica, a segurança tão precária e tão pouco investimento em educação. Apesar da grande propaganda que se faz em torno da atenção que se dá aos pobre, os últimos registros do IBGE apresentam crescimento na miséria nos últimos anos. Vivemos um momento de crise hídrica e, consequentemente, energética que, pode ter base no desmatamento desenfreado da Amazônia e na falha no reflorestamento da região sudeste.
Tantas insatisfações, que vinham se manifestando nas redes sociais há algum tempo, acabaram ganhando forma, saindo da rede e tomando as ruas, em junho de 2013, graças às manifestações do Movimento Passe Livre, que brigava contra o aumento de R$ 0,20 no transporte púbico. O fato é que este protesto foi apenas o estopim para um mega movimento que foi além dos R$ 0,20 e chegou lá na porta da presidente Dilma e do Congresso, metendo o pé com força total. A "esquerda", neste momento, ficou em choque. Era como se tivessem invadido seu território e roubado suas ideias. Por pouco não pediram indenização por "direitos autorais". Quem eram aqueles, afinal, que ousavam se meter num campo que era exclusividade deles? Era gente de todo tipo, de todas as partes, reclamando de tudo, mas inflamados, principalmente por internautas. Isso mesmo. Como bem diz a letra da música de Thiago Corrêa, essa turma "saiu do facebook pra mostrar como se faz/ E é tanta coisa que não cabe no cartaz..." (clipe que ilustra este texto)
A indignação da esquerda foi tanta, que convocaram seus militantes para dar um aviso aos "intrometidos". Chegaram como se fossem os "donos da rua", com bandeiras vermelhas em punho, com seus símbolos, siglas e frases feitas. Pareciam querer liderar o que consideravam sem liderança, organizar e direcionar o que achavam estar à mercê de ninguém. Na verdade, a mensagem deles embutida era: "Vamos te ensinar como se faz!". Mas tamanha arrogância foi surpreendida, primeiro por eles mesmos, já que a quantidade pífia de "vermelhinhos reaças" ante à multidão de cidadãos insatisfeitos nem chegou a fazer ruído. Depois, pelo "gigante acéfalo", que praticamente os expulsou das manifestações, chutando-os de volta aos seus mandantes, com o seguinte recado impresso, aos gritos, em suas testas: "É SEM PARTIDO!" Bandeiras do PT chegaram a ser queimadas, numa demonstração clara de que não eram bem-vindos. De que eles, na verdade, eram uma parte maior do problema, um dos grandes motivos daquele levante popular.

"Era como se tivessem invadido seu território e roubado suas ideias. Por um pouco não pediram 'indenização por direitos autorais'. Quem eram aqueles, afinal, que ousavam se meter num campo que era exclusividade deles?"

E agora? Como colocar esta gente em seu devido lugar? Desconstruir, descaracterizar, ridicularizar... Só para início de conversa. Como a propagando é a alma do negócio, e como não é a toa que o governo paga milhões a grandes empresas de publicidade e outros tantos milhões em propagandas governamentais em grandes veículos de notícia para cuidar "das coisas", tratou de pressionar essa galera tão bem remunerada. Surgiram, então, os termos pejorativos: "coxinha" e "elite mortadela". Ressuscitaram, também, velhos termos: "reaças" (contração de reacionários), "burgueses", "playboys" e "direita neoliberal". Para surpresa dos revoltados esquerdinhas, para cada neologismo ofensivo, surgia um similar no contra-ataque: "esquerda caviar" e "petralha", além dos antigos  "comunas" (abreviação de "comunistas") e "vermelhinhos".
É claro que, nesta briga, quem saiu ganhando foi a direita, que na confortável posição de "oposicionistas" (inertes, até então), pegou carona na onda da "turma de junho". Por conta desta adesão, a picuinha se tornou ainda mais acirrada, culminando nas eleições de 2014, que dividiu o Brasil em 2: Petistas e Anti-Petistas. Do lado dos anti-petistas, permanecia aquela turma mista, formada há 1 ano atrás. Mais da metade da população (68%) se mostrou contra o governo atual: ou votando no partido da oposição, deixando na urna o voto em branco ou nulo ou, simplesmente, se abstendo. Mas até os que se decidiram por manter tudo como está, se dividiram: militantes convictos, que votaram por ideologia, de um lado; partidários que lucram de alguma forma com a manutenção do governo atual de outro; e os que temiam - devido aos boatos plantados pelo PT -, o fim de programas sociais que alcançam milhões de brasileiros das classes C, D e E, espremidos no meio.
O PT ganhou (com 51,3% dos votos) mais 4 anos no poder, totalizando 16 anos no comando do país. Mas a população e a política não saíram desta "guerra" da forma que entraram. Conceitos começaram a ser revistos e até o velho termo "reaça" tão usado contra os "de direita", nunca se encaixou tão bem nos de "esquerda" (reacionário = indivíduos que defendem uma manutenção do "status quo" político e societal quando propostas de mudança ou tentativas de revoluções são iniciadas).
Mais uma vez a "geração facebook" foi ás ruas após as eleições, para o ato #ForaDilma ou #ImpeachmentJá - desta vez inflamados pela direita -, onde protestaram contra as várias denúncias de fraude que não receberam a devida atenção da justiça e da mídia; contra os casos de corrupção (Correios e Petrobrás) que envolvem o partido da presidente e a própria, e que periga terminar em "pizza"; e contra projetos "bolivarianos" que tramitam no Congresso e que recebem pressões internas e externas da esquerda para passarem. Um pequeno grupo, que não ultrapassava 30 pessoas, numa multidão de cerca de 5 mil, chegarou a pedir "intervenção militar". E, apesar da pouca expressão e de não representar o todo, a mesma mídia que ajudou na reeleição de Dilma, tratou de tornar esta reivindicação o ponto forte do movimento. É claro que, sendo o pedido o mais antipopular de todos, por remeter à Ditadura Militar,é o melhor candidato a ilustrar o grupo anti-petista. Será que conseguirão imprimir esta marca nos atos #ForaDilma, assim como viram a palavra "corrupção" se tornar o carimbo do Partido dos Trabalhadores?

"Conceitos começaram a ser revistos e até o velho termo 'reaça' tão usado contra os 'de direita', nunca se encaixou tão bem nos de 'esquerda'"

A esquerda já se deu conta de que sua imagem e sua posição não são mais as mesmas. "Estar na oposição" e "estar no poder", são situações bem diferentes e que deram um novo rumo a essa história. As coisas mudaram e estamos vendo renascer uma nova oposição, que não partiu da direita, mas foi influenciada pela esquerda e atiçada por uma ex-esquerda descontente, que despertou neoliberais e socialistas, que mesclou interesses, que desconstruiu conceitos e fez surgir outros novos. Toda esta revolução está fazendo a sociedade pensar, refletir, se informar. A manipulação continua sendo a principal arma contra as massas, ainda eficaz e letal. Mas é na rede que estão os "gatilhos de reflexão". Mais do que nunca precisamos da inclusão digital da classe pobre, a mais vulnerável nesta guerra ideológica. Foi por causa da internet que vimos milhões de "técnicos de futebol" se transformarem em milhões de "analistas políticos". E isto foi um grande passo.
A população continua de olho. Críticos de novela da Globo, estão percebendo que há outras novelas que precisam ser acompanhadas e, cujos finais, dependerão muito de cada um deles.

segunda-feira, junho 23, 2014

Dicas jurídicas para estrangeiros durante a Copa no Brasil



A Copa está aí e o Brasil está recebendo visitantes de várias partes do mundo. Infelizmente, nem só de futebol e passeios vivem os turistas. Sempre aparecem casos que vão acabar na delegacia ou então ficam sem solução pela falta de informação das leis que regem nosso país, sejam elas cíveis, criminais, de defesa do consumidor, de imigração e vistos, enfim. O advogado especialista no assunto, Dr. J. Haroldo dos Anjos, responde a algumas questões jurídicas aos estrangeiros, que forem vítimas de golpes, acidentes, cometam crimes ou se envolvam em confusões durante a Copa do Mundo.

Seguem, abaixo, algumas dicas:

1) Se algum estrangeiro quiser participar de um dos vários protestos que estão sendo realizados no Brasil e acabe se envolvendo em confusão, quebra-quebra ou vandalismo, ele é passível de expulsão? Como esta pessoa deve proceder? 
No Brasil a legislação proíbe o estrangeiro de participar de atividade de natureza política e partidária, inclusive organizar passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza, ou deles participar sob a forma de adesão em movimentos sociais ou partidos políticos. Se não cometer nenhum delito pode ser deportado, mas em casos de atos criminosos, desrespeito às leis do estrangeiro ou que atentam contra os interesses nacionais podem ser expulsos por decreto do Presidente da República.

2) Caso um turista venha ao Brasil e resolva ficar, não se retirando do território nacional no prazo estipulado, o que acontece com ele? 
A validade do visto de turismo é pelo prazo de 90 (noventa) dias, contados da data de sua concessão, podendo ser prorrogado uma única vez e por igual período antes de expiração do prazo de validade, sem qualquer burocracia. No caso de permanência ilegal no território nacional com visto vencido, o estrangeiro será deportado. É bom lembrar que pela Lei da Copa, os representantes da imprensa e o pessoal da FIFA envolvido diretamente ou que trabalham no evento, terão o prazo de validade do visto até 31 de dezembro de 2014, mas os espectadores estrangeiros que vieram apenas para assistir os jogos, sem qualquer envolvimento oficial com o evento da Copa do Mundo, terão o visto de até 90 (noventa) dias improrrogáveis e podem ser deportados após esse prazo..

3) Eis uma situação muito comum no Brasil, mas que pode ser um transtorno para o turista de outro país: perder ou ter seu passaporte e demais documentos roubados. O que fazer? 
No Brasil o documento do estrangeiro é o seu passaporte, onde fica registrado sua entrada regular no país. Se perder os documentos ou for roubado, o estrangeiro deve comunicar o fato em qualquer delegacia, ou se preferir na Delegacia de Turistas. Logo em seguida, ele deve fazer contato com o consulado do seu país de origem para tomar as providências necessárias e regularizar sua situação até a saída do País.

4) O que acontece com um estrangeiro desavisado que for pego usando algum tipo de droga que é liberada em seu país de origem?
Ele será preso e processado por uso ou tráfico de drogas mesmo que seja liberada em seu país de origem. Se for condenado, cumpre a pena imposta no Brasil e depois será expulso do país. A expulsão de estrangeiro do Brasil é prevista como punição para quem comete crimes no território brasileiro. O delito mais comum, segundo a Polícia Federal (PF), é o tráfico de drogas e de falsificação de documentos.

5) Que conselho o senhor dá para “gringos” que forem vítimas de golpes do tipo: alugaram, para a temporada da Copa, um imóvel que não existe ou não tem nada a ver com a propaganda feita pelo site? Ou ainda: compraram ingressos clonado ou falsificados. Há como recorrer aos direitos do consumidor, mesmo não sendo cidadão brasileiro? 
Qualquer estrangeiro tem o mesmo direito de proteção legal assegurado aos brasileiros, vedado qualquer discriminação nesse sentido. No caso de vítimas de golpes, e não vai ser pouco, a primeira providência é recorrer a uma delegacia. Por dificuldade do idioma, melhor se dirigir à Delegacia de Turistas, fazer uma ocorrência e procurar um advogado para providências.

6) Se um estrangeiro é vítima de um homicídio, o que a família pode fazer para reivindicar direitos e cobrar por danos, como indenização?
A família deve comunicar o homicídio ao consulado do país de origem ou contratar um advogado para tomar providências, reivindicar seus direitos e cobrar uma indenização por danos morais e materiais, até o período de vida ou sobrevida da vítima, segunda a Tabela do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística.

7) Caso o estrangeiro seja vítima de algum tumulto durante os jogos e se acidente, como ele deve proceder para ter a indenização pelos gastos com o tratamento?
Se o acidente ocorrer em algum estádio da Copa do Mundo, pela Lei nº 12.663, de 05 de junho de 2012, a União será responsável por todo e qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos, exceto se a FIFA ou a vítima tenham concorrido para ocorrência do dano. A Fédération Internationale de Football Association (FIFA): é uma associação suíça de direito privado, mas atua com certa soberania durante os eventos da Copa, e assim, estrangeiro ou brasileiro vítima de algum tumulto, incidente ou acidente com danos, podem acionar diretamente a FIFA e a União nos Juizados Especiais ou a Justiça Federal que estarão de plantão durante os jogos da Copa.

8) Se o estrangeiro perceber que teve seus serviços superfaturados durante a hospedagem e se sentir lesado, como pode processar o estabelecimento à distância?

Nesse caso, ele precisa de um representante legal, no Brasil, para agir em seu nome com uma procuração pública em cartório, ou contrata logo um advogado que tem poderes para representá-lo em qualquer juízo ou tribunal no país, deixando uma procuração e cópias de todos os documentos relacionados com o caso.

quinta-feira, agosto 29, 2013

Médicos cubanos fracassam em massa em exames de revalidação de diplomas



Por Luís Henrique Vieira
Fox News Latino

Muita gente ainda acredita que a assistência médica em Cuba está entre as mais eficientes no mundo como é frequentemente dito pelo regime. Os médicos da ilha caribenha, no entanto, não estão conseguindo revalidar seus diplomas para praticar legalmente no Brasil a profissão.

No mais recente teste de revalidação – que inclui teste de proficiência em português, conhecimentos médicos e práticas clínicas – nenhum dos médicos graduados em Cuba conseguiu aprovação. De 2005 até hoje, mais de 300 cubanos tentaram, mas apenas 25 foram autorizados para trabalhar legalmente no Brasil, segundo o Ministério da Educação. Os resultados deles, de fato, estão entre os piores entre a média de 600 candidatos que passam pelo processo anualmente, com pessoas que se graduaram também na Argentina, Bolívia, Estados Unidos e países da Europa.

A Associação Médica Brasileira atribui o aparente fracasso de tantos cubanos na prova à falta de qualidade de universidades de países como Bolívia e Cuba. Segundo a associação, o nível de ensino de medicina nesses países  é similar ao de enfermagem no Brasil.

Nos Estados Unidos, a situação é similar. De acordo com a AAPS, mais de 75% dos cubanos formados em medicina não passam no exame de licenciamento no país. A maioria também não consegue ser aprovado para ganhar certificação de enfermeiro.

Para Humberto Fontova, um refugiado e comentarista político nos EUA, os resultados não são surpresa. “Eles não aprendem o que se aprende nas escolas médicas da maioria dos países”, afirmou Fontova.

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o poder em 2003, o governo brasileiro tem tentado facilitar o uso do trabalho de médicos cubanos. Uma proposta de validação automática dos diplomas de cubanos não foi adiante no Congresso. Apesar disso, muitos doutores cubanos são incentivados pelos dois governos para vir às áreas mais pobres do Brasil. Um dos principais motivos é o “Programa de Saúde da Família, que foca na saúde preventiva – uma especialidade do sistema de saúde cubano.

Talvez a principal razão seja a amizade do Partido dos Trabalhadores de Lula com o regime de Fidel Castro. Mesmo quando questionado em 2010 sobre a morte de Ernesto Zapata, um dissidente que morreu de greve de fome, Lula se recusou a criticar Castro, chamando do ditador de “bom companheiro, amigo”.

“Ele (Zapata) só morreu porque decidiu fazer uma greve de fome. Não podemos reclamar disso”, disse Lula à época.

O Brasil, no entanto, tem um grande problema de falta de médicos em muitas regiões. Existem mais de 350 mil médicos no país, mas 73% trabalham no Sul e no Sudeste – as regiões mais ricas.

Enquanto isso, o governador da Paraíba, um dos estados mais pobres do país, Ricardo Montinho, viajou à Cuba em setembro para contratar médicos. Segundo o Conselho Regional de Medicina da Paraíba, apenas um cubano conseguiu se habilitar para praticar a profissão. Mais tarde, Montinho desistiu da ideia. “Eu só queria melhorar os serviços no meu estado”, disse Montinho.

No distante estado do Tocantins, mais de 500 médicos cubanos foram contratados ilegalmente para trabalho no Programa da Saúde da Família. Uma corte estadual decidiu banir o trabalho desses profissionais no estado.

Os estados do Ceará, Piauí, Bahia, Paraíba, Santa Catarina e São Paulo também contrataram profissionais de saúde cubanos, mas legalmente.

As associações médicas do Brasil negam que os médicos brasileiros não queiram trabalhar em áreas distantes e pobres. Elas também afirmam que não existe possibilidade de adotar um procedimento diferente. Médicos trabalhando ilegalmente serão processados. “Nós só precisamos de um bom plano de carreira para ir para o interior. Não podemos abrir exceções para um país específico e temos que exigir a prova como outros países fazem conosco. A Argentina e os EUA têm boas universidades e seus alunos são aprovados aqui”, disse o Dr. Fernando Matos, presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, que está preocupado com a atuação de médicos uruguaios na fronteira com o seu estado.

A prova de revalidação, no entanto, tem sido criticada por brasileiros que estudam no exterior. Em uma instituição privada, eles pagam até US$ 1.500 de mensalidade, enquanto na Bolívia o valor não passa de US$ 200. Em Cuba, é ainda mais fácil. Os estudantes só precisam ser indicados pelo PT, pelo PC do B ou outra instituição alinhada com o regime para ingressar em uma universidade de medicina.

“A prova é realmente pra rodar todo mundo”, diz Afonso Magalhães, presidente da Associação dos Estudantes Brasileiros de Medicina em Cuba.

terça-feira, julho 02, 2013

Nos bastidores do plebiscito da Dilma


Pressa! Essa é a palavra de ordem da presidente sobre o pedido de plebiscito encaminhado hoje para análise do TSE e que deve ser encaminhado ao Congresso para aprovação. Caso o Congresso aprove o plebiscito, os temas a serem abordados serão: a forma de financiamento das campanhas eleitorais (público, privado ou misto) e o sistema de votação para a escolha de membros do Legislativo (proporcional – aberto, fechado ou flexível -, distrital ou distrital misto). Atualmente, as campanhas eleitorais são bancadas com recursos públicos e doações privadas, com limites para pessoas físicas e empresas. Para a escolha de deputados e vereadores, o atual sistema é proporcional (de lista aberta), ou seja, o número de votos conseguidos por uma coligação de partidos determina quantas vagas ela terá no Legislativo.
E por que tanta pressa? Por que a insistência com o plebiscito e no que tudo isso poderia beneficiar o PT? Tem tempo? Então vamos às explicações:

1) PRESSA - É do interesse do governo que as mudanças, “decididas pelo povo”, já estejam vigorando nas próximas eleições. Esta reforma está na gaveta presidencial desde Lula. Antes das manifestações, tal reforma já havia sido dada como perdida p/ 2014. Mas aí, surge a revolta popular e a oportunidade de usar o evento como pretexto para desengavetar o texto, em forma de plebiscito.

2) PLEBISCITO – O plebiscito é a melhor forma da presidente matar 2 coelhos com uma cajadada só: calar os manifestantes, com um engodo que tem ares de um grande feito “motivado pelo grito das ruas”; e jogar nas costas do povo e do Congresso a decisão de uma reforma que pode mais beneficiar o PT do que prejudicar. O TSE terá um tempo mínimo para explicar o que significa cada uma das opções para a população e, assim, realizar o plebiscito. Ora, alguém aí acha mesmo que o povão (que não sabe nem o significado da palavra “plebiscito”), terá condições de analisar qual a melhor forma de financiamento ou o melhor sistema de votação? Quem comprou essa gente, que é maioria votante, se preocupou em “encher o bucho, e não a mente. Deu comida, mas não deu educação, quando poderiam ter dado os 2 com qualidade, se não fossem os desvios de verba. Lembram?

3) COMO PODE BENEFICIAR O PT? – vejamos item por item, no caso da população votar e o Congresso assinar em baixo:

NA DECISÃO DA FORMA DE FINANCIAMENTO:
a) Financiamento público - o maior beneficiário é o PT, pois é maioria na bancada na Câmara dos Deputados e esse é o critério usado para a divisão dos recursos. Com o financiamento público, o partido conseguiria assegurar recursos superiores aos das outras siglas, que ficariam na desvantagem sempre. Isto perpetuaria a permanência do PT no poder.
b) Financiamento privado – Bancos, empreiteiras e grandes empresários em geral continuariam a seguir a lógica de favorecer quem tem a chave do cofre - no caso da União, o PT. Fora isso, continuaria podendo usufruir da contribuição mensal e obrigatória dos militantes petistas, e de quem mais quisesse se favorecer da máquina do governo. Eles teriam a faca e o queijo nas mãos. Seria o caixa 2 institucionalizado. Mas seria menos ruim que a primeira opção, pois as demais siglas ainda teriam alguma chance.
 c) Misto – É como é atualmente. Continuaria beneficiando o PT, mas as demais siglas também têm alguma chance de conseguir bons apoios privados.

 NA DECISÃO DO SISTEMA DE VOTO:
a) Proporcional de lista aberta – é atual sistema em vigor. Sob este sistema, todos os candidatos são ligados a alguma legenda, que pode ser uma coligação de vários partidos ou um único partido não coligado. Todo eleitor vota simultaneamente no candidato e na legenda a qual ele pertence, ou somente na legenda, se preferir. As vagas são distribuídas proporcionalmente conforme o somatório de votos para cada legenda usando o chamado quociente eleitoral. Os candidatos mais votados de cada legenda são eleitos. Com este sistema pode ocorrer o chamado “efeito Tiririca”.
b) Proporcional de lista fechada – este é o “sonho de consumo” do PT. Neste sistema, o eleitor vota apenas na legenda, enquanto a direção partidária indica os candidatos eleitos. Como o partido com maior apelo de legenda, o PT teoricamente seria o de maior votação.
c) Voto proporcional de lista flexível: é uma combinação do voto em lista aberta e fechada. Cada partido ou coligação elaboraria sua própria lista (semelhante à lista fechada), porém cada eleitor, se quisesse, pode escolher seu próprio candidato (como na lista aberta). Os candidatos que recebessem uma grande quantidade de votos seriam eleitos, independentemente de sua posição na lista. As demais vagas seriam preenchidas pela ordem da lista partidária.
d) Distrital – O voto proporcional seria abandonado, e em seu lugar seriam criados distritos uninominais, isto é, de um único vencedor. Suponhamos, por exemplo, a eleição para a Câmara no estado de São Paulo. Ao invés de todos os candidatos concorrerem no estado todo com 70 vencedores, o estado seria dividido em 70 distritos. Cada candidato concorreria em apenas um distrito, e cada distrito elegeria apenas um deputado ou deputada. Neste caso, quem se favoreceria seria o PSDB, pois a regra seria bem aplicável em estados como São Paulo e Minas Gerais - onde os tucanos têm maior poder de fogo. Nesses estados, muito extensos e populosos, os candidatos se dividem informalmente entre cidades e regiões, o que já se aproxima do voto distrital.
e) Distrital misto - Seria a combinação do voto distrital com o proporcional; parte dos deputados (ou vereadores) seriam eleitos em distritos uninominais, e parte deles seriam eleitos em votos proporcionais (provavelmente em listas fechadas, o que é bom para o PT, como vimos anteriormente).

 Apesar de não ter sido mencionado, há ainda um sexto sistema: o Voto uninominal intransferível (também chamada erroneamente de voto majoritário ou "distritão"), onde cada um dos eleitores passaria a votar apenas em um candidato ou candidata, e o voto partidário deixaria de existir. É o modelo mais simples. Ganham os mais votados e o quociente eleitoral, que provoca o chamado "efeito Tiririca", seria abolido. É como se cada estado fosse um distrito. Para o PMDB, uma legenda fraca e que só pensa no próprio umbigo, seria o ideal.

Explicado tudo isso, eu pergunto: é o que o povo está pedindo nas ruas? Acho que não. Mais uma vez Dilma se fez de desentendida e dá uma de “João-sem-braço” para empurrar sua “reforma”. Se queria mesmo uma reforma, poderia ter analisado o que já havia na “gaveta” do Congresso. O problema é que lá se encontra uma certa proposta, de um certo deputado chamado Regufe, que em nada interessa ao PT ou aos políticos mal intencionados.

segunda-feira, junho 24, 2013

Agora, a oposição somos nós!




José Simão disse bem: "A oposição somos nós!".
É isso aí! Nenhum partido havia se posicionado até agora para se opor aos abusos que vinham acontecendo neste governo. Ninguém dava um pio, mesmo diante dos pedidos constantes da população. Nunca o povo foi tão ignorado em suas petições, como fomos nos últimos anos. A reclamação por uma falta de oposição atuante, que nos representasse, era geral. Pronto! Agora temos uma oposição: nós mesmos! Fomos às ruas e nos fizemos ouvir (o que não significa que fomos ou seremos atendidos). Demos a cara à tapa, à bala de borracha, à spray de pimenta e gás lacrimogênio. Nos submetemos à ação de bandidos violentos, que se estavam lá é porque não foram pegos pela polícia antes. Já vinham vandalizando a população sem precisar de qualquer movimento para agirem. Setores da sociedade se aterrorizam com sacos de lixo e links de emissoras sendo queimados no meio da rua, se esquecendo que há alguns dias atrás vimos no noticiário que pessoas estavam sendo queimadas por assaltantes em casa e no local de trabalho. Já estávamos entregues à violência, queridos!
Esqueceram que ficar doente no Brasil é um problema até para quem tem plano de saúde, porque dependendo do exame ou cirurgia que precise fazer, pode ser que não consiga uma autorização. Morre gente sem atendimento nos hospitais públicos, mas morre também muita gente em casa por não conseguir o tratamento que precisa na rede privada. Ou seja, o caos na saúde é geral. Só não sente na pele quem pode pagar planos "top" de linha. Mas para esses, o Brasil é outro, não é o mesmo Brasil da maioria.
O fato é que uma parte da população cansou. Uma parte que já vinha enxergando os absurdos há muito tempo e que entendeu que seu voto, aquele que parecia ser sua única arma, não fazia diferença alguma. O tiro saía pela culatra, sempre. Nem a opção de não votar nós temos. O voto é anti-democraticamente obrigatório. O que fazer? Sentar e se conformar, é o que muitos respondiam. Afinal, não havia jeito. Os representantes que deveriam estar lá defendendo os nossos direitos, legislam em causa própria, e só lembram dos nosso deveres. A ordem do dia é ganhar dinheiro! Mais e mais. Afinal, dinheiro é poder. E quem detém a maior parte da nossa grana, atualmente, é o PT. Os demais partidos, que não são bobos, tentam garantir sua fatia do bolo se dividindo em duas frentes: os que juntaram-se a eles e os que querem tomar o poder deles.
Ninguém está ali pensando no povo, a não ser em como tirar mais grana dele para encher suas contas. E a lista de insatisfações vai crescendo: corrupção, impunidade, abandono dos serviços públicos, aumento e criações de taxas e impostos... PECs vergonhosas brotam como água. Atropelam a Constituição, o Ministério Público e quem mais aparecer pela frente para atrapalhar os planos de poder e enriquecimento. Tudo noticiado e sendo assistido passivamente pela população. Mas o povo começou a se reunir e a trocar ideias. Era possível se ouvir as denúncias e os gritos de protestos vindos de uma "praça pública" diferente: as redes sociais. A massa foi aumentando. Cada vez mais pessoas eram despertadas de seu "sono cívico". A fogueira estava pronta, só faltava alguém riscar o fósforo. E este alguém foi o Movimento Passe Livre e sua "Revolta dos R$ 0,20". O que ninguém sabia é que havia combustível em excesso nessa lenha, e o que se viu, ao invés de apenas o acender de uma chama, foi uma explosão com proporções inesperadas. O mês não poderia ser mais apropriado: junho. O mês das festas juninas e da Copa das Confederações, tornou-se o mês das MANIFESTAÇÕES. Brasileiros de todos os estados do país e espalhados pelo mundo juntaram-se, uníssonos em seu pedido: QUEREMOS UM BRASIL MELHOR!




O grito de protesto saiu das redes e foi para as ruas, com todas as suas reclamações e reivindicações que estavam engasgadas na garganta e limitadas aos teclados. Os posts transformaram-se em faixas e cartazes. A criatividade própria do brasileiro de inventar rimas, que esperavam ver a torcida usar na Copa, foi usada para dar ânimo às passeatas. "Pega o teu partido e vai pra P* Q* Pariu, abaixa essa bandeira e levanta a do Brasil", bradavam os paulistanos para algumas dezenas de partidários, a maioria de esquerda - também chamados "vermelhinhos" - que pipocavam aos montes querendo pegar carona no movimento e aparecer. Afinal, ano que vem teremos eleições, e quem perderia uma chance como essa? Só que eles não contavam que aquele protesto também era contra a omissão deles. Ou seria a conivência? Bem, de qualquer forma, eles não conseguiram o que queriam. Desta vez, o levante era espontâneo, não tinha partido envolvido, não tinha empresário financiando, não tinha dono de nenhuma mídia articulando nenhum golpe. E, sendo assim, não era justo que nenhum deles ficassem na aba do nosso chapéu. Se não apoiaram o povo antes, por que apoiariam agora? Está claro: o movimento é apartidário (não confundir com anti-partidário).
Agora é ver no que vai dar a onda de protestos. A ficha do governo ainda não caiu, mas algo terá que ser feito. E esperamos que seja logo, porque a demora pode resultar em duas coisas ruins: ou o fogo fica sem controle e queima até o que não deveria ou a gente descobre que ele era feito de palha.

sexta-feira, abril 26, 2013

Centenas de pessoas participam de evento no Cristo Redentor no dia mundial de combate à meningite

Por ANA LINHARES

Com um Rio de Janeiro de céu azul e sol brilhante, o Cristo Redentor recebeu de braços abertos o evento "De mãos dadas contra a meningite" que aconteceu nesta quarta-feira, 24 de abril, dia mundial de combate à doença. Mais de 300 pessoas participaram da manifestação que tinha como objetivo arrecadar assinaturas em um abaixo-assinado para a criação de uma lei de iniciativa popular que inclua a vacina contra a meningite B no calendário básico de imunização das crianças. 
O ator André Segatti, da novela "Balacobaco" da Rede Record, esteve presente com a mulher Louise Nagel. De acordo com ele, iniciativas como essa são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e saúde dos brasileiros. "Para mim é um prazer estar aqui apoiando um evento que tem uma causa tão nobre. Temos que ajudar a divulgar campanhas como essa que, com toda certeza, ajudam na prevenção de uma doença tão grave como a meningite. Me sinto privilegiado por estar aqui", disse.

André Segatti e a mulher, Louise Nagel, prestigiaram o evento
Pessoas de todas as partes do Brasil que estavam no Corcovado aderiram à campanha e fizeram questão de participar do abaixo-assinado. Sidney Castro mora em Fernando de Noronha e estava conhecendo o ponto turístico. Quando soube do manifesto, decidiu colaborar. "O valor da vacina é um absurdo e poucas crianças teriam condições de terem essa prevenção. Assino esse abaixo-assinado com prazer porque quero que meus filhos e todas as crianças e, também os adultos, tenham os mesmo direitos".
Rodrigo Diniz, presidente do Instituto Pedro Arthur, comemorou o número de adesões e a participação das pessoas. "Estou muito feliz com o resultado desse dia. Conseguimos arrecadar assinaturas para o abaixo-assinado, já que nossa meta são 1,5 milhão de pessoas pedindo para que a vacina faça parte do calendário. Além disso, também conseguimos trazer mais esclarecimentos sobre a doença para a população e alertar as autoridades para essa questão tão importante. Hoje é dia de festejar."
Pedro Arthur, filho do presidente do instituto e símbolo de combate à meningite, também participou da programação. Ele é um caso raro da doença: a bactéria danificou a medula espinhal sem afetar o cérebro. Como sequela, o menino sofreu paralisia dos membros e do diafragma. As funções cognitivas não foram prejudicadas. Pedro Arthur foi a primeira criança na América do Sul a receber o marca-passo diafragmático. O aparelho estimula a respiração espontânea, permitindo que o paciente deixe de usar equipamentos mecânicos que dependem da energia elétrica.
Recentemente a Comissão Europeia aprovou a primeira e única vacina de ampla cobertura licenciada para ajudar a proteger todos os grupos etários de dois meses em diante contra a meningite B. A parceria do Instituto Pedro Arthur com o Ministério da Saúde fortalece essa luta para a implantação da vacina na rede pública. Está prevista para o dia 15 de maio, em Brasília, a “Caminhada pela Vida”, para levar ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de um milhão e meio de assinaturas.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, “iniciativas desse porte são importantes para incentivar atitudes em favor da prevenção.”

A doença
A meningite é uma inflamação, causada por vírus ou bactérias, da membrana que reveste o cérebro e a medula espinhal. As meningites virais têm os sintomas parecidos com os de gripes e resfriados: febre, dor de cabeça, um pouco de rigidez da nuca e falta de apetite.
As meningites bacterianas são os casos mais graves e devem ser tratados imediatamente. Os sintomas são: febre alta, mal-estar, vômitos, dor de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas no corpo. Nos bebês, a moleira fica elevada.
As meningites causadas por bactérias são as de maior importância para a saúde pública pelo seu potencial de ocasionar surtos e pelo número de mortes. As principais são: meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, a meningite pneumocócica e a meningite porHaemophilus influenzae. Em caso de suspeita de meningite bacteriana, é fundamental o início imediato do tratamento. O risco de sequelas é grande, como lesões neurológicas que podem ser irreversíveis.

Número de casos no estado do Rio de Janeiro
* Fonte: SINANNET / SES RJ 
2012
CASOS
ÓBITOS
Meningite Geral
1.468
287
Doença Meningocócica
398
93

Número de casos no Brasil
* Fonte: Ministério da Saúde
2012
CASOS
ÓBITOS
Meningite Geral
21.067
1.744
Doença Meningocócica
2.509
534
Meningite Pneumocócica
1.063
284
Meningite Heamophilus b
146
19

Sobre o Instituto Pedro Arthur
O Instituto Pedro Arthur é a única organização brasileira que trabalha no combate à meningite. Criado em 2006 em Minas Gerais, o Instituto alerta sobre os riscos causados pela meningite, como se prevenir e informa a população sobre o direito ao acesso a medicamentos e equipamentos médico-hospitalares.

sexta-feira, março 22, 2013

Grades



As grades que me prendem são as mesmas que me libertam. 
Me protegem do que está lá fora e do que está aqui, dentro de mim. 
Grades que separam e que unem. 
Grades necessárias. 
As quero e as repilo. 
Mantenham as grades, mas deixem as chaves à mão.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Respeito à vida? Respeite a vida!


Local: Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.
Fevereiro de 2013.

Milhares de pessoas vindas de várias partes do Brasil lotam a Rua dos Andradas e ruas próximas. E ainda há mais gente chegando. Haverá um ato contra a falta de respeito à vida. A comoção ainda toma conta dos brasileiros, mesmo um mês após o ocorrido. A perda de 238 jovens, de uma só vez, é doída nos corações de tantos pais, amigos, irmãos... Por empatia, todos nós somos um pouco ente querido de alguém que se foi naquele incêndio na boate Kiss.
Na rua detrás, carros fazem fila, tentando achar uma vaga. Muitos falam ao celular enquanto dirigem; ao mesmo tempo que outros resolvem seu problema de estacionamento parando no espaço reservado para deficientes. Ora, uma ou outra infraçãozinha para quem está indo participar de uma ação nobre não conta, não é?
Um senhor bate-boca com o guarda-municipal que lhe avisa que será multado se continuar estacionado em frente à garagem de uma residência. Vendo que a discussão não levará a lugar nenhum, muito menos a uma outra vaga tão cômoda e próxima ao evento, tenta convencer o funcionário, que ganha tão pouco, a aceitar sua oferta financeira. A troca lhe parece justa: poder estacionar seu Audi por uma "cegueira" temporária do guardinha.
Ali perto, no posto de gasolina, um menino de três anos, ajoelhado no banco de trás do carro de uma mulher que fuma sem parar ao volante, observa, pela janela, o rapaz da moto, que aguarda sua vez logo atrás da fila, ajeitar o capacete que carrega no braço e não na cabeça. Todos vestem sua camiseta com a inscrição: "Respeito à vida!".
Em cada esquina, os discursos são inflamados. As opiniões convergem numa mesma direção sobre o caso da boate Kiss: os culpados devem ser punidos com rigor. Ninguém discorda sobre isso. Alguns, mais exaltados, falam até em "pena de morte". Uma senhora, a mais indignada da roda de amigos, pede licença para atender o celular. Após ouvir atentamente a ligação, responde: "Isto deve ser gripe. Pega um Benegripe na minha bolsinha de remédios e dá pra ele. Se tiver dor de garganta, procura aí na bolsinha que também deve ter algum remedinho. Sou muito prevenida!". Finda a ligação, retoma seu lugar na conversa, defendendo sua posição dentro dos "rigores da lei".
Um vereador da cidade também se prepara para participar do ato. Já tem lugar reservado ao lado do Prefeito que, por sua vez, tem vaga cativa ao lado do governador que, por sua vez, já avisou que não sairá do lado da presidenta, por nada. Afinal, Santa Maria nunca viu tanto jornalista, fotógrafo e cinegrafista juntos. O tal vereador, antes de sair de casa, faz uns ajustes finais em três projetos que apresentará à Câmara. Um proíbe a venda de artefatos pirotécnicos na cidade, outro muda o nome da Rua dos Andradas para Rua dos 238, e o terceiro cria uma multa "gorda" para donos de casa noturna que usam comanda.
O evento aconteceu em meio a muitas lágrimas, gritos de ordem e promessas de políticos presentes. Tudo amplamente divulgado, inclusive por mídias internacionais. Nenhum sinistro grave fora registrado, a não ser um engavetamento sem grandes proporções, causado por um homem que falava ao celular; o reboque de um Audi que impedia uma mulher de ser levada ao hospital para fazer sua quimioterapia semanal; e o corte na cabeça de um menininho, que se feriu após sua mãe frear bruscamente quando o capacete de um motoqueiro, sabe-se lá como, apareceu de repente na frente do seu carro. O menininho, por não estar na cadeirinha, acabou indo parar com a cabeça no painel do carro. Mas nada grave.
Nada grave mesmo, diante do que poderia ter acontecido no posto de gasolina quando o frentista, mesmo sendo xingado, pediu que uma mulher apagasse seu cigarro enquanto ele abastecia seu carro. Nada grave de fato, graças à "teimosia boba" de um rapaz que insistiu em passar por uma avaliação médica antes de tomar um benegripe e ser diagnosticado com dengue.
Bem, fora isso, o ato contra a falta de respeito à vida foi um sucesso!

P.S.: Lógico que o texto acima é ficcional, mas serve para que cada um, com seus discursos inflamados e dedos em riste prontos para condenar, SE avalie e SE pergunte: "Será que eu respeito a vida do próximo"? Pequenos gestos podem não dar em nada, mas também podem salvar uma ou muitas vidas. Faça a sua parte, ainda que te chamem de "chato (a)".

sábado, novembro 03, 2012

O Sandy passou por lá


Antes de passar pelos EUA, o Furacão Sandy já havia feito uma parada no Haiti e Cuba, com o mesmo furor devastador. Só fiquei a par da notícia através das redes sociais. A mídia esqueceu de mencionar os dois países caribenhos. Por que será? Seria porque ambos já viraram arroz de festa no quesito tragédia? O fato é que Sandy só alcançou notoriedade no país do Tio Sam. Se queria fama mesmo, errou de cidade. Hollywood fica na Flórida, mais em baixo. É para lá que os furacões mais experientes vão. Da próxima vez, nem precisa fazer laboratório na vizinhança pobre, vai direto para o estrelato, para onde está direcionado os foco da mídia, as lentes dos fotógrafos!

Nota: É claro que não falo sério. Não desejo a ninguém um furacão. Tenho amigos nos EUA, nos estados de Illinois e Califórnia. Mas às vezes meu lado irônico, sarcástico e inconsequente fala mais alto. Ignorar o que ocorreu no Haiti e em Cuba foi imperdoável. Bola fora para a imprensa brasileira.  

Sem querer me meter, mas já me metendo....

Jornalista dispara sua metralhadora antolha e petista contra Lobão e Roger.

Vi esta semana um embate interessante entre uma jornalista, que se autointitula esquerdista, e os roqueiros Roger Moreira e Lobão, acusados pela mesma de "reacionários". Na verdade não sei nem se posso chamar aquilo de "embate" já que não houve um choque ideológico e sim um ataque unilateral que saiu do campo das ideias e partiu para o lado pessoal. Lobão, nas palavras da blogueira raivosa, seria um "reaça" e Roger um "mané". Ela faz uma análise própria da trajetória dos pensamentos político-social de ambos, tomando como base argumentos um tanto preconceituosos, como origem sócio-econômica, colégio em que estudaram e mensagens soltas postadas no Twitter pelos artistas, onde expressam suas opiniões quanto ao rumo do país governado pelo PT. As palavras da jornalista,que atualmente trabalha para a Carta Capital, são compreensíveis. Afinal, qual petista não age exatamente desta forma? Como que sob encanto, os petistas continuam acreditando existir uma esquerda no país que "luta por uma sociedade igualitária". Parecem ter parado no tempo e não terem participado dos acontecimentos dos últimos 12 anos. O texto a seguir, assinado por Toledo, trata-se de um comentário ao referido post de Cynara Menezes, a "Morena Socialista", e acho que ele diz tudo e um pouco mais do que eu gostaria de escrever aqui:

 "Cynara, permita-me um contraponto. Podemos também dizer que nem todo parasita e preguiçoso é esquerdista, mas todo esquerdista é um parasita preguiçoso. Se você tem dúvida se alguém é esquerdista, observe essas características: adoram bater no peito arvorando-se como salvadores da pátria e guardiões da probidade e da moralidade, denunciando os roubos, as negociatas feitas nas administrações públicas quando longe do poder; mas adoram uma boquinha quando chegam ao poder, principalmente quando rejeitados pelas urnas. Se auto-denominam 'progressistas', 'socialistas' e otras cositas más. Não foi eleito e arrumou uma boquinha, é batata. Parasita esquerdista detectado. Temos, hoje, no Brasil personalidades célebres pelo parasitismo preguiçoso explícito e pelo esquerdismo assumido: Lula, Zé Dirceu, Delúbio, Palocci, Pimentel, etc, etc, etc. Da geração dos 80, Lula sempre foi meu favorito. E não é porque Lula se transformou num burguês que vou deixar de gostar. Sim, Lula virou um burguês no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele operário alucinado, barbudo, jeitão de Che Guevara, que ficou preso por liderar greves, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre: José Sarney, Collor, Maluf, Temer,etc, etc, etc... Não me importa que Lula critique os outro partidos. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como aliar-se ao procurado pela Interpol, Paulo Maluf. Muita gente se pergunta, como é que isso aconteceu?. O que faz um operário virar um babaca ao chegar ao poder? No caso a resposta é simples: Lula é parte de um fenômeno muito comum. O sujeito pobre que se transforma em burguês para enriquecer a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível de nunca mais voltar às origens. Aos poucos, o ex-operário vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem. 'Você culpa seus patrões por tudo, isso é um absurdo. São empresários e é o que você nunca vai ser quando você crescer.' Enfim, incrível seria se Marta Suplicy ou o ex, Eduardo, nascidos em berços de ouro se tornassem operários, uns grevistas de marca maior. Pago para ver. Mas Lula? Normal. O bom malandro a casa enriquece. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima do mimos burgueses que desfrutam.Como já escreveram por aí, não são poucos os exemplos citáveis de preguiçosos, ineptos, despreparados, mal intencionados, desonestos, não necessariamente numa mesma pessoa, mas, por diversas vezes, uma comunhão de todos esses defeitos que poderiam ser citados. Não são poucos os Antônios Pitangas e Beneditas da Silva, os Lulas e as Dilmas, os Mercadantes e os Arraes oligarcas, os Zés de Abreu e os Joãos Paulos Cunha a decorarem as paredes e estantes de comunistas notórios que mais destruíram do que construíram pelo país e pelo bem estar social dos brasileiros, mas o propósito é mostrar a coerência dos incoerentes comunistas. Pois bem, a maior de suas coerências é seguiram as cartilhas do improdutivo sanguessuga Karl Marx, dos genocidas Stálin e Mao, do dissimulado Castro e o inteligentíssimo não operário Antonio Gramsci." 

 Toledo postou mais comentários em resposta aos outros petistas amigos de Cynara, mas este texto inicial para mim é suficiente. Sua ideia em usar as próprias palavras da jornalista contra ela mesma, foi muito criativa e inteligente. Infelizmente não creio que nada do que se diga, por mais evidente que seja, mude a visão com antolhos dos petistas. É como se estivéssemos sob a maldição de Cassandra.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Uma pedra no meio do caminho

Eles perambulam pela cidade indesejáveis, perniciosos... Onde havia vida, sonhos, planos, não há mais. Eles encontraram uma pedra no meio do caminho: o crack. O custo do tropeço? A vida. A pedra que faz tropeçar é a mesma que os esmaga. Os mortos-vivos não têm lugar, não se encaixam em nenhum espaço. O fim vêm rápido, mas a fila de novos candidatos à vaga deixada não pára de crescer. Quem será capaz de sanar essa doença? Quem será capaz de deter a ameaça? Quem será capaz de colocar uma pedra em cima dessa pedra? Aaah, Deus... Há Deus!


quarta-feira, setembro 07, 2011

O "desfile" militar de 7 de Setembro do Complexo do Alemão


Data: Feriado de 7 de setembro de 2011.
Local: Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, Brasil.
Exército, Polícias Civil e Militar e o Bope tomam conta das ruelas das Comunidades, a pé ou a bordo de blindados, "Caveirões", carros ou motos. Helicópteros sobrevoam o lugar, com militares empunhando seus fuzis. Para a data, não seria de se estranhar toda essa movimentação. Afinal, o país comemora o Dia da Independência. As principais avenidas de diversas capitais do Brasil recebem seus heróis fardados em desfiles comemorativos. Brasileiros de todas as idades vão às ruas, bem cedo, com suas bandeirinhas em punho para assistirem a tradicional Parada de 7 de Setembro e evocar os mais nobres sentimentos cívicos e patrióticos. 
Mas lá no Complexo do Alemão, a história é outra. Nesse "desfile" não há o que se comemorar. As crianças não são levadas às ruas, mas sim tiradas delas às pressas. As mãos dos cidadãos não seguram bandeirinhas, mas põem-se em posição de defesa, tentando proteger o que nem blindado protege. O corre-corre não é para achar o melhor lugar para assistir a Parada e ver de perto os imponentes armamentos bélicos militares, e sim para se esconder das munições - perdidas ou endereçadas - que saem dessas mesmas armas empunhadas por heróis e bandidos. O barulho que se ouve não é da banda e sim dos tiros que mudam de tom conforme o tipo de arma. 
Independência? "Este" Brasil ainda não sabe o que é isso. Mas torcemos para que essa gente, que é tão brasileira quanto nós, possa ter o seu 7 de Setembro também.

sexta-feira, setembro 02, 2011

O bonde do descaso!


O bonde virou e 5 vidas se foram. Este foi o saldo, ou melhor, o débito (mais um) registrado na conta do governo do Estado do Rio de Janeiro no acidente com o bondinho de Santa Tereza, que vitimou fatalmente 5 pessoas e feriu outras 57, no sábado, dia 24. Justamente a 5 dias do bairro histórico comemorar os 115 anos da sua maior atração: os bondes. Ao invés de festividades no bairro, o que se viu foi luto, protestos, revolta e tristeza. Ao invés de eventos oportunistas de políticos se aproveitando da data para aparecer, o que se viu foram declarações forçadas e desencontradas, de autoridades que não conseguiram fugir da imprensa e tiveram que colocar a cara à tapa. Governador e Secretário de Transportes sem explicações plausíveis, atiraram pra todo lado, tentando inclusive vilanizar quem era a maioir vítima na história: o motorneiro. Só que o bonde que eles tentaram embarcar já estava andando há muito tempo. Outros acidentes sérios já envolveram o bondinho recentemente. Em junho, um turista francês de 24 anos morreu depois de despencar de um bonde que passava sobre os arcos da Lapa, no centro do Rio. Em 2009, uma professora de 29 anos foi atropelada ao tentar saltar de um bonde que perdeu o freio e bateu em um táxi. Ou seja, era apenas questão de tempo para uma tragédia maior acontecer.
Houve até quem dissesse: "o que esperar desses bondes após 115 anos?" Ora, os de Milão, na Itália, têm 4 séculos e funcionam em perfeita e total segurança. Próxima desculpa...
O fato é que a população não engoliu e nem vai mais engolir desculpas esfarrapadas e cobra providências. Não providências paliativas, não maquiagem para mascarar a incompetência e a omissão do Estado. A população quer soluções verdadeiras e definitivas. Não adianta culpar quem tá morto, exonerar quem segue ordens superiores. Ninguém quer ouvir mais que vão fazer e acontecer. Queremos VER fazerem e acontecer.
Se tratam assim um ponto turístico, algo que traz dinheiro para a cidade? O que pensar sobre como lidam com todo o resto, que para eles pode ser entendido apenas como "gasto" em benefício da população?
Esse bonde do terror não se resolve com UPP. A solução desses bondes é bem mais simples do que tomada de morro. Então, chega de pegar o bonde andando, governador! Basta vontade e gente competente.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Lei do Direito Autoral: Novas mídias, novas leis

Depois de adiamentos sucessivos e muita discussão – principalmente entre o Ministério da Cultura (MinC) e as entidades de arrecadação privada - foi lançada, dia 1º de novembro, a consulta pública que ajudará a definir o texto da reforma da Lei de Direitos Autorais. A consulta pública será totalmente online.

“Eu acho que o processo demorou bastante. Poderia ter sido concluído há um ano e meio”, critica Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O grupo participa da Rede pela Reforma da Lei de Direito Autoral, que reúne 20 organizações (como CTS-FGV, UNE e Idec).

Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Gpopai
(Foto: Socialismo.org)

Mas se de um lado havia pressão pela aprovação, de outro o MinC também enfrentou resistência das entidades privadas contrárias à mudança. A Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) diz, por exemplo, que a lei 9.610 é atual e precisa só de retoques.

“Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”
Pena Schmidt, produtor 

Para Pablo Ortellado, a reforma da lei traz avanços importantes, mas poderia trazer mudanças mais ousadas – como a diminuição dos prazos de proteção (que continua a ser de 70 anos) e a regulação do compartilhamento na internet. “Poderíamos aproveitar essa janela de oportunidade”, sugere. “É preciso falar mais em trazer remuneração pela música na internet”, sugere o produtor Pena Schmidt, que, junto de Ortellado, também assina o manifesto pela mudança da LDA. “Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”

>> Entendenda melhor as mudanças na lei AQUI.
>> Entrevista com os músicos Roger e Leoni AQUI

Fonte: Ministério da Cultura

O que muda na nova Lei do Direito Autoral

A principal diferença na nova legislação prevê um espaço para uso amigável e também mais flexibilidade para os autores discutirem prazos e condições de cessão de direitos, além da criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral responsável por regular a atuação das entidades privadas. Esse é o ponto mais criticado pelas entidades de arrecadação, que acusam o MinC de estatização. O Ministério prefere definir as mudanças como a “criação da figura de um ‘Estado indutor’”.

Por ser tão restritiva, a legislação anterior, a lei 9.610, de 1998, foi considerada pela ONG Consumers International como a sétima pior do mundo em termos de acesso à educação. Ao pé da letra, a atual LDA proíbe fotocopiar livros para fins educativos, copiar obras para fim de conservação e usar pequenos trechos para remix. A nova legislação deve criar mecanismos para legalizar esses três exemplos.

Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em dir. autorais do MinC
(Foto: O Povo online)

“A ideia é ter um mecanismo para os autores ficarem mais independentes”, diz Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do MinC. Além disso, “a proposta é que 50% do valor da obra vá para o autor”. O Instituto de Direito Autoral não determinará valores, mas definirá regras básicas de atuação das entidades de arrecadação. “É meio obrigatório existir gestão coletiva. Mas esses órgãos precisarão ser registrados no ministério.”

Acesso. A legislação não só deve proteger e garantir que o autor receba por sua criação mas também garantir que o público tenha acesso aos bens culturais – e é esse o ponto criticado pela Consumers International. O novo projeto de lei deverá prever uma série de exceções e limitações para que, por exemplo, seja permitido digitalizar um filme cujo diretor não seja mais localizável. E também regulamentará o remix, a possibilidade de uso de pequenos trechos da obra. “A ideia é criar flexibilidade para que se possa usar uma obra sem infringir os direitos autorais”, diz Barrichello.

Fonte: Ministério da Cultura