terça-feira, julho 02, 2013
Nos bastidores do plebiscito da Dilma
Pressa! Essa é a palavra de ordem da presidente sobre o pedido de plebiscito encaminhado hoje para análise do TSE e que deve ser encaminhado ao Congresso para aprovação. Caso o Congresso aprove o plebiscito, os temas a serem abordados serão: a forma de financiamento das campanhas eleitorais (público, privado ou misto) e o sistema de votação para a escolha de membros do Legislativo (proporcional – aberto, fechado ou flexível -, distrital ou distrital misto). Atualmente, as campanhas eleitorais são bancadas com recursos públicos e doações privadas, com limites para pessoas físicas e empresas. Para a escolha de deputados e vereadores, o atual sistema é proporcional (de lista aberta), ou seja, o número de votos conseguidos por uma coligação de partidos determina quantas vagas ela terá no Legislativo.
E por que tanta pressa? Por que a insistência com o plebiscito e no que tudo isso poderia beneficiar o PT? Tem tempo? Então vamos às explicações:
1) PRESSA - É do interesse do governo que as mudanças, “decididas pelo povo”, já estejam vigorando nas próximas eleições. Esta reforma está na gaveta presidencial desde Lula. Antes das manifestações, tal reforma já havia sido dada como perdida p/ 2014. Mas aí, surge a revolta popular e a oportunidade de usar o evento como pretexto para desengavetar o texto, em forma de plebiscito.
2) PLEBISCITO – O plebiscito é a melhor forma da presidente matar 2 coelhos com uma cajadada só: calar os manifestantes, com um engodo que tem ares de um grande feito “motivado pelo grito das ruas”; e jogar nas costas do povo e do Congresso a decisão de uma reforma que pode mais beneficiar o PT do que prejudicar. O TSE terá um tempo mínimo para explicar o que significa cada uma das opções para a população e, assim, realizar o plebiscito. Ora, alguém aí acha mesmo que o povão (que não sabe nem o significado da palavra “plebiscito”), terá condições de analisar qual a melhor forma de financiamento ou o melhor sistema de votação? Quem comprou essa gente, que é maioria votante, se preocupou em “encher o bucho, e não a mente. Deu comida, mas não deu educação, quando poderiam ter dado os 2 com qualidade, se não fossem os desvios de verba. Lembram?
3) COMO PODE BENEFICIAR O PT? – vejamos item por item, no caso da população votar e o Congresso assinar em baixo:
NA DECISÃO DA FORMA DE FINANCIAMENTO:
a) Financiamento público - o maior beneficiário é o PT, pois é maioria na bancada na Câmara dos Deputados e esse é o critério usado para a divisão dos recursos. Com o financiamento público, o partido conseguiria assegurar recursos superiores aos das outras siglas, que ficariam na desvantagem sempre. Isto perpetuaria a permanência do PT no poder.
b) Financiamento privado – Bancos, empreiteiras e grandes empresários em geral continuariam a seguir a lógica de favorecer quem tem a chave do cofre - no caso da União, o PT. Fora isso, continuaria podendo usufruir da contribuição mensal e obrigatória dos militantes petistas, e de quem mais quisesse se favorecer da máquina do governo. Eles teriam a faca e o queijo nas mãos. Seria o caixa 2 institucionalizado. Mas seria menos ruim que a primeira opção, pois as demais siglas ainda teriam alguma chance.
c) Misto – É como é atualmente. Continuaria beneficiando o PT, mas as demais siglas também têm alguma chance de conseguir bons apoios privados.
NA DECISÃO DO SISTEMA DE VOTO:
a) Proporcional de lista aberta – é atual sistema em vigor. Sob este sistema, todos os candidatos são ligados a alguma legenda, que pode ser uma coligação de vários partidos ou um único partido não coligado. Todo eleitor vota simultaneamente no candidato e na legenda a qual ele pertence, ou somente na legenda, se preferir. As vagas são distribuídas proporcionalmente conforme o somatório de votos para cada legenda usando o chamado quociente eleitoral. Os candidatos mais votados de cada legenda são eleitos. Com este sistema pode ocorrer o chamado “efeito Tiririca”.
b) Proporcional de lista fechada – este é o “sonho de consumo” do PT. Neste sistema, o eleitor vota apenas na legenda, enquanto a direção partidária indica os candidatos eleitos. Como o partido com maior apelo de legenda, o PT teoricamente seria o de maior votação.
c) Voto proporcional de lista flexível: é uma combinação do voto em lista aberta e fechada. Cada partido ou coligação elaboraria sua própria lista (semelhante à lista fechada), porém cada eleitor, se quisesse, pode escolher seu próprio candidato (como na lista aberta). Os candidatos que recebessem uma grande quantidade de votos seriam eleitos, independentemente de sua posição na lista. As demais vagas seriam preenchidas pela ordem da lista partidária.
d) Distrital – O voto proporcional seria abandonado, e em seu lugar seriam criados distritos uninominais, isto é, de um único vencedor. Suponhamos, por exemplo, a eleição para a Câmara no estado de São Paulo. Ao invés de todos os candidatos concorrerem no estado todo com 70 vencedores, o estado seria dividido em 70 distritos. Cada candidato concorreria em apenas um distrito, e cada distrito elegeria apenas um deputado ou deputada. Neste caso, quem se favoreceria seria o PSDB, pois a regra seria bem aplicável em estados como São Paulo e Minas Gerais - onde os tucanos têm maior poder de fogo. Nesses estados, muito extensos e populosos, os candidatos se dividem informalmente entre cidades e regiões, o que já se aproxima do voto distrital.
e) Distrital misto - Seria a combinação do voto distrital com o proporcional; parte dos deputados (ou vereadores) seriam eleitos em distritos uninominais, e parte deles seriam eleitos em votos proporcionais (provavelmente em listas fechadas, o que é bom para o PT, como vimos anteriormente).
Apesar de não ter sido mencionado, há ainda um sexto sistema: o Voto uninominal intransferível (também chamada erroneamente de voto majoritário ou "distritão"), onde cada um dos eleitores passaria a votar apenas em um candidato ou candidata, e o voto partidário deixaria de existir. É o modelo mais simples. Ganham os mais votados e o quociente eleitoral, que provoca o chamado "efeito Tiririca", seria abolido. É como se cada estado fosse um distrito. Para o PMDB, uma legenda fraca e que só pensa no próprio umbigo, seria o ideal.
Explicado tudo isso, eu pergunto: é o que o povo está pedindo nas ruas? Acho que não. Mais uma vez Dilma se fez de desentendida e dá uma de “João-sem-braço” para empurrar sua “reforma”. Se queria mesmo uma reforma, poderia ter analisado o que já havia na “gaveta” do Congresso. O problema é que lá se encontra uma certa proposta, de um certo deputado chamado Regufe, que em nada interessa ao PT ou aos políticos mal intencionados.
segunda-feira, junho 24, 2013
Agora, a oposição somos nós!
José Simão disse bem: "A oposição somos nós!".
É isso aí! Nenhum partido havia se posicionado até agora para se opor aos abusos que vinham acontecendo neste governo. Ninguém dava um pio, mesmo diante dos pedidos constantes da população. Nunca o povo foi tão ignorado em suas petições, como fomos nos últimos anos. A reclamação por uma falta de oposição atuante, que nos representasse, era geral. Pronto! Agora temos uma oposição: nós mesmos! Fomos às ruas e nos fizemos ouvir (o que não significa que fomos ou seremos atendidos). Demos a cara à tapa, à bala de borracha, à spray de pimenta e gás lacrimogênio. Nos submetemos à ação de bandidos violentos, que se estavam lá é porque não foram pegos pela polícia antes. Já vinham vandalizando a população sem precisar de qualquer movimento para agirem. Setores da sociedade se aterrorizam com sacos de lixo e links de emissoras sendo queimados no meio da rua, se esquecendo que há alguns dias atrás vimos no noticiário que pessoas estavam sendo queimadas por assaltantes em casa e no local de trabalho. Já estávamos entregues à violência, queridos!
Esqueceram que ficar doente no Brasil é um problema até para quem tem plano de saúde, porque dependendo do exame ou cirurgia que precise fazer, pode ser que não consiga uma autorização. Morre gente sem atendimento nos hospitais públicos, mas morre também muita gente em casa por não conseguir o tratamento que precisa na rede privada. Ou seja, o caos na saúde é geral. Só não sente na pele quem pode pagar planos "top" de linha. Mas para esses, o Brasil é outro, não é o mesmo Brasil da maioria.
O fato é que uma parte da população cansou. Uma parte que já vinha enxergando os absurdos há muito tempo e que entendeu que seu voto, aquele que parecia ser sua única arma, não fazia diferença alguma. O tiro saía pela culatra, sempre. Nem a opção de não votar nós temos. O voto é anti-democraticamente obrigatório. O que fazer? Sentar e se conformar, é o que muitos respondiam. Afinal, não havia jeito. Os representantes que deveriam estar lá defendendo os nossos direitos, legislam em causa própria, e só lembram dos nosso deveres. A ordem do dia é ganhar dinheiro! Mais e mais. Afinal, dinheiro é poder. E quem detém a maior parte da nossa grana, atualmente, é o PT. Os demais partidos, que não são bobos, tentam garantir sua fatia do bolo se dividindo em duas frentes: os que juntaram-se a eles e os que querem tomar o poder deles.
Ninguém está ali pensando no povo, a não ser em como tirar mais grana dele para encher suas contas. E a lista de insatisfações vai crescendo: corrupção, impunidade, abandono dos serviços públicos, aumento e criações de taxas e impostos... PECs vergonhosas brotam como água. Atropelam a Constituição, o Ministério Público e quem mais aparecer pela frente para atrapalhar os planos de poder e enriquecimento. Tudo noticiado e sendo assistido passivamente pela população. Mas o povo começou a se reunir e a trocar ideias. Era possível se ouvir as denúncias e os gritos de protestos vindos de uma "praça pública" diferente: as redes sociais. A massa foi aumentando. Cada vez mais pessoas eram despertadas de seu "sono cívico". A fogueira estava pronta, só faltava alguém riscar o fósforo. E este alguém foi o Movimento Passe Livre e sua "Revolta dos R$ 0,20". O que ninguém sabia é que havia combustível em excesso nessa lenha, e o que se viu, ao invés de apenas o acender de uma chama, foi uma explosão com proporções inesperadas. O mês não poderia ser mais apropriado: junho. O mês das festas juninas e da Copa das Confederações, tornou-se o mês das MANIFESTAÇÕES. Brasileiros de todos os estados do país e espalhados pelo mundo juntaram-se, uníssonos em seu pedido: QUEREMOS UM BRASIL MELHOR!


O grito de protesto saiu das redes e foi para as ruas, com todas as suas reclamações e reivindicações que estavam engasgadas na garganta e limitadas aos teclados. Os posts transformaram-se em faixas e cartazes. A criatividade própria do brasileiro de inventar rimas, que esperavam ver a torcida usar na Copa, foi usada para dar ânimo às passeatas. "Pega o teu partido e vai pra P* Q* Pariu, abaixa essa bandeira e levanta a do Brasil", bradavam os paulistanos para algumas dezenas de partidários, a maioria de esquerda - também chamados "vermelhinhos" - que pipocavam aos montes querendo pegar carona no movimento e aparecer. Afinal, ano que vem teremos eleições, e quem perderia uma chance como essa? Só que eles não contavam que aquele protesto também era contra a omissão deles. Ou seria a conivência? Bem, de qualquer forma, eles não conseguiram o que queriam. Desta vez, o levante era espontâneo, não tinha partido envolvido, não tinha empresário financiando, não tinha dono de nenhuma mídia articulando nenhum golpe. E, sendo assim, não era justo que nenhum deles ficassem na aba do nosso chapéu. Se não apoiaram o povo antes, por que apoiariam agora? Está claro: o movimento é apartidário (não confundir com anti-partidário).
Agora é ver no que vai dar a onda de protestos. A ficha do governo ainda não caiu, mas algo terá que ser feito. E esperamos que seja logo, porque a demora pode resultar em duas coisas ruins: ou o fogo fica sem controle e queima até o que não deveria ou a gente descobre que ele era feito de palha.
sexta-feira, abril 26, 2013
Centenas de pessoas participam de evento no Cristo Redentor no dia mundial de combate à meningite
Por ANA LINHARES
Com um Rio de Janeiro de céu azul e sol brilhante, o Cristo Redentor recebeu de braços abertos o evento "De mãos dadas contra a meningite" que aconteceu nesta quarta-feira, 24 de abril, dia mundial de combate à doença. Mais de 300 pessoas participaram da manifestação que tinha como objetivo arrecadar assinaturas em um abaixo-assinado para a criação de uma lei de iniciativa popular que inclua a vacina contra a meningite B no calendário básico de imunização das crianças.
O ator André Segatti, da novela "Balacobaco" da Rede Record, esteve presente com a mulher Louise Nagel. De acordo com ele, iniciativas como essa são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e saúde dos brasileiros. "Para mim é um prazer estar aqui apoiando um evento que tem uma causa tão nobre. Temos que ajudar a divulgar campanhas como essa que, com toda certeza, ajudam na prevenção de uma doença tão grave como a meningite. Me sinto privilegiado por estar aqui", disse.
| André Segatti e a mulher, Louise Nagel, prestigiaram o evento |
Pessoas de todas as partes do Brasil que estavam no Corcovado aderiram à campanha e fizeram questão de participar do abaixo-assinado. Sidney Castro mora em Fernando de Noronha e estava conhecendo o ponto turístico. Quando soube do manifesto, decidiu colaborar. "O valor da vacina é um absurdo e poucas crianças teriam condições de terem essa prevenção. Assino esse abaixo-assinado com prazer porque quero que meus filhos e todas as crianças e, também os adultos, tenham os mesmo direitos".
Rodrigo Diniz, presidente do Instituto Pedro Arthur, comemorou o número de adesões e a participação das pessoas. "Estou muito feliz com o resultado desse dia. Conseguimos arrecadar assinaturas para o abaixo-assinado, já que nossa meta são 1,5 milhão de pessoas pedindo para que a vacina faça parte do calendário. Além disso, também conseguimos trazer mais esclarecimentos sobre a doença para a população e alertar as autoridades para essa questão tão importante. Hoje é dia de festejar."
Pedro Arthur, filho do presidente do instituto e símbolo de combate à meningite, também participou da programação. Ele é um caso raro da doença: a bactéria danificou a medula espinhal sem afetar o cérebro. Como sequela, o menino sofreu paralisia dos membros e do diafragma. As funções cognitivas não foram prejudicadas. Pedro Arthur foi a primeira criança na América do Sul a receber o marca-passo diafragmático. O aparelho estimula a respiração espontânea, permitindo que o paciente deixe de usar equipamentos mecânicos que dependem da energia elétrica.
Recentemente a Comissão Europeia aprovou a primeira e única vacina de ampla cobertura licenciada para ajudar a proteger todos os grupos etários de dois meses em diante contra a meningite B. A parceria do Instituto Pedro Arthur com o Ministério da Saúde fortalece essa luta para a implantação da vacina na rede pública. Está prevista para o dia 15 de maio, em Brasília, a “Caminhada pela Vida”, para levar ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de um milhão e meio de assinaturas.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, “iniciativas desse porte são importantes para incentivar atitudes em favor da prevenção.”
A doença
A meningite é uma inflamação, causada por vírus ou bactérias, da membrana que reveste o cérebro e a medula espinhal. As meningites virais têm os sintomas parecidos com os de gripes e resfriados: febre, dor de cabeça, um pouco de rigidez da nuca e falta de apetite.
As meningites bacterianas são os casos mais graves e devem ser tratados imediatamente. Os sintomas são: febre alta, mal-estar, vômitos, dor de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas no corpo. Nos bebês, a moleira fica elevada.
As meningites causadas por bactérias são as de maior importância para a saúde pública pelo seu potencial de ocasionar surtos e pelo número de mortes. As principais são: meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, a meningite pneumocócica e a meningite porHaemophilus influenzae. Em caso de suspeita de meningite bacteriana, é fundamental o início imediato do tratamento. O risco de sequelas é grande, como lesões neurológicas que podem ser irreversíveis.
Número de casos no estado do Rio de Janeiro
* Fonte: SINANNET / SES RJ
2012
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CASOS
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ÓBITOS
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Meningite Geral
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1.468
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287
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Doença Meningocócica
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398
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93
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Número de casos no Brasil
* Fonte: Ministério da Saúde
2012
|
CASOS
|
ÓBITOS
|
Meningite Geral
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21.067
|
1.744
|
Doença Meningocócica
|
2.509
|
534
|
Meningite Pneumocócica
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1.063
|
284
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Meningite Heamophilus b
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146
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19
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Sobre o Instituto Pedro Arthur
O Instituto Pedro Arthur é a única organização brasileira que trabalha no combate à meningite. Criado em 2006 em Minas Gerais, o Instituto alerta sobre os riscos causados pela meningite, como se prevenir e informa a população sobre o direito ao acesso a medicamentos e equipamentos médico-hospitalares.
sexta-feira, março 22, 2013
Grades
As grades que me prendem são as mesmas que me libertam.
Me protegem do que está lá fora e do que está aqui, dentro de mim.
Grades que separam e que unem.
Grades necessárias.
As quero e as repilo.
Mantenham as grades, mas deixem as chaves à mão.
terça-feira, fevereiro 05, 2013
Respeito à vida? Respeite a vida!
Local: Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.
Fevereiro de 2013.
Milhares de pessoas vindas de várias partes do Brasil lotam a Rua dos Andradas e ruas próximas. E ainda há mais gente chegando. Haverá um ato contra a falta de respeito à vida. A comoção ainda toma conta dos brasileiros, mesmo um mês após o ocorrido. A perda de 238 jovens, de uma só vez, é doída nos corações de tantos pais, amigos, irmãos... Por empatia, todos nós somos um pouco ente querido de alguém que se foi naquele incêndio na boate Kiss.
Na rua detrás, carros fazem fila, tentando achar uma vaga. Muitos falam ao celular enquanto dirigem; ao mesmo tempo que outros resolvem seu problema de estacionamento parando no espaço reservado para deficientes. Ora, uma ou outra infraçãozinha para quem está indo participar de uma ação nobre não conta, não é?
Um senhor bate-boca com o guarda-municipal que lhe avisa que será multado se continuar estacionado em frente à garagem de uma residência. Vendo que a discussão não levará a lugar nenhum, muito menos a uma outra vaga tão cômoda e próxima ao evento, tenta convencer o funcionário, que ganha tão pouco, a aceitar sua oferta financeira. A troca lhe parece justa: poder estacionar seu Audi por uma "cegueira" temporária do guardinha.
Ali perto, no posto de gasolina, um menino de três anos, ajoelhado no banco de trás do carro de uma mulher que fuma sem parar ao volante, observa, pela janela, o rapaz da moto, que aguarda sua vez logo atrás da fila, ajeitar o capacete que carrega no braço e não na cabeça. Todos vestem sua camiseta com a inscrição: "Respeito à vida!".
Em cada esquina, os discursos são inflamados. As opiniões convergem numa mesma direção sobre o caso da boate Kiss: os culpados devem ser punidos com rigor. Ninguém discorda sobre isso. Alguns, mais exaltados, falam até em "pena de morte". Uma senhora, a mais indignada da roda de amigos, pede licença para atender o celular. Após ouvir atentamente a ligação, responde: "Isto deve ser gripe. Pega um Benegripe na minha bolsinha de remédios e dá pra ele. Se tiver dor de garganta, procura aí na bolsinha que também deve ter algum remedinho. Sou muito prevenida!". Finda a ligação, retoma seu lugar na conversa, defendendo sua posição dentro dos "rigores da lei".
Um vereador da cidade também se prepara para participar do ato. Já tem lugar reservado ao lado do Prefeito que, por sua vez, tem vaga cativa ao lado do governador que, por sua vez, já avisou que não sairá do lado da presidenta, por nada. Afinal, Santa Maria nunca viu tanto jornalista, fotógrafo e cinegrafista juntos. O tal vereador, antes de sair de casa, faz uns ajustes finais em três projetos que apresentará à Câmara. Um proíbe a venda de artefatos pirotécnicos na cidade, outro muda o nome da Rua dos Andradas para Rua dos 238, e o terceiro cria uma multa "gorda" para donos de casa noturna que usam comanda.
O evento aconteceu em meio a muitas lágrimas, gritos de ordem e promessas de políticos presentes. Tudo amplamente divulgado, inclusive por mídias internacionais. Nenhum sinistro grave fora registrado, a não ser um engavetamento sem grandes proporções, causado por um homem que falava ao celular; o reboque de um Audi que impedia uma mulher de ser levada ao hospital para fazer sua quimioterapia semanal; e o corte na cabeça de um menininho, que se feriu após sua mãe frear bruscamente quando o capacete de um motoqueiro, sabe-se lá como, apareceu de repente na frente do seu carro. O menininho, por não estar na cadeirinha, acabou indo parar com a cabeça no painel do carro. Mas nada grave.
Nada grave mesmo, diante do que poderia ter acontecido no posto de gasolina quando o frentista, mesmo sendo xingado, pediu que uma mulher apagasse seu cigarro enquanto ele abastecia seu carro. Nada grave de fato, graças à "teimosia boba" de um rapaz que insistiu em passar por uma avaliação médica antes de tomar um benegripe e ser diagnosticado com dengue.
Bem, fora isso, o ato contra a falta de respeito à vida foi um sucesso!
P.S.: Lógico que o texto acima é ficcional, mas serve para que cada um, com seus discursos inflamados e dedos em riste prontos para condenar, SE avalie e SE pergunte: "Será que eu respeito a vida do próximo"? Pequenos gestos podem não dar em nada, mas também podem salvar uma ou muitas vidas. Faça a sua parte, ainda que te chamem de "chato (a)".
sábado, novembro 03, 2012
O Sandy passou por lá
Antes de passar pelos EUA, o Furacão Sandy já havia feito uma parada no Haiti e Cuba, com o mesmo furor devastador. Só fiquei a par da notícia através das redes sociais. A mídia esqueceu de mencionar os dois países caribenhos. Por que será? Seria porque ambos já viraram arroz de festa no quesito tragédia? O fato é que Sandy só alcançou notoriedade no país do Tio Sam. Se queria fama mesmo, errou de cidade. Hollywood fica na Flórida, mais em baixo. É para lá que os furacões mais experientes vão. Da próxima vez, nem precisa fazer laboratório na vizinhança pobre, vai direto para o estrelato, para onde está direcionado os foco da mídia, as lentes dos fotógrafos!
Nota: É claro que não falo sério. Não desejo a ninguém um furacão. Tenho amigos nos EUA, nos estados de Illinois e Califórnia. Mas às vezes meu lado irônico, sarcástico e inconsequente fala mais alto. Ignorar o que ocorreu no Haiti e em Cuba foi imperdoável. Bola fora para a imprensa brasileira.
Sem querer me meter, mas já me metendo....
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| Jornalista dispara sua metralhadora antolha e petista contra Lobão e Roger. |
Vi esta semana um embate interessante entre uma jornalista, que se autointitula esquerdista, e os roqueiros Roger Moreira e Lobão, acusados pela mesma de "reacionários". Na verdade não sei nem se posso chamar aquilo de "embate" já que não houve um choque ideológico e sim um ataque unilateral que saiu do campo das ideias e partiu para o lado pessoal. Lobão, nas palavras da blogueira raivosa, seria um "reaça" e Roger um "mané". Ela faz uma análise própria da trajetória dos pensamentos político-social de ambos, tomando como base argumentos um tanto preconceituosos, como origem sócio-econômica, colégio em que estudaram e mensagens soltas postadas no Twitter pelos artistas, onde expressam suas opiniões quanto ao rumo do país governado pelo PT. As palavras da jornalista,que atualmente trabalha para a Carta Capital, são compreensíveis. Afinal, qual petista não age exatamente desta forma? Como que sob encanto, os petistas continuam acreditando existir uma esquerda no país que "luta por uma sociedade igualitária". Parecem ter parado no tempo e não terem participado dos acontecimentos dos últimos 12 anos. O texto a seguir, assinado por Toledo, trata-se de um comentário ao referido post de Cynara Menezes, a "Morena Socialista", e acho que ele diz tudo e um pouco mais do que eu gostaria de escrever aqui:
"Cynara, permita-me um contraponto. Podemos também dizer que nem todo parasita e preguiçoso é esquerdista, mas todo esquerdista é um parasita preguiçoso. Se você tem dúvida se alguém é esquerdista, observe essas características: adoram bater no peito arvorando-se como salvadores da pátria e guardiões da probidade e da moralidade, denunciando os roubos, as negociatas feitas nas administrações públicas quando longe do poder; mas adoram uma boquinha quando chegam ao poder, principalmente quando rejeitados pelas urnas. Se auto-denominam 'progressistas', 'socialistas' e otras cositas más. Não foi eleito e arrumou uma boquinha, é batata. Parasita esquerdista detectado. Temos, hoje, no Brasil personalidades célebres pelo parasitismo preguiçoso explícito e pelo esquerdismo assumido: Lula, Zé Dirceu, Delúbio, Palocci, Pimentel, etc, etc, etc. Da geração dos 80, Lula sempre foi meu favorito. E não é porque Lula se transformou num burguês que vou deixar de gostar. Sim, Lula virou um burguês no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele operário alucinado, barbudo, jeitão de Che Guevara, que ficou preso por liderar greves, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre: José Sarney, Collor, Maluf, Temer,etc, etc, etc... Não me importa que Lula critique os outro partidos. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como aliar-se ao procurado pela Interpol, Paulo Maluf. Muita gente se pergunta, como é que isso aconteceu?. O que faz um operário virar um babaca ao chegar ao poder? No caso a resposta é simples: Lula é parte de um fenômeno muito comum. O sujeito pobre que se transforma em burguês para enriquecer a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível de nunca mais voltar às origens. Aos poucos, o ex-operário vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem. 'Você culpa seus patrões por tudo, isso é um absurdo. São empresários e é o que você nunca vai ser quando você crescer.' Enfim, incrível seria se Marta Suplicy ou o ex, Eduardo, nascidos em berços de ouro se tornassem operários, uns grevistas de marca maior. Pago para ver. Mas Lula? Normal. O bom malandro a casa enriquece. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima do mimos burgueses que desfrutam.Como já escreveram por aí, não são poucos os exemplos citáveis de preguiçosos, ineptos, despreparados, mal intencionados, desonestos, não necessariamente numa mesma pessoa, mas, por diversas vezes, uma comunhão de todos esses defeitos que poderiam ser citados. Não são poucos os Antônios Pitangas e Beneditas da Silva, os Lulas e as Dilmas, os Mercadantes e os Arraes oligarcas, os Zés de Abreu e os Joãos Paulos Cunha a decorarem as paredes e estantes de comunistas notórios que mais destruíram do que construíram pelo país e pelo bem estar social dos brasileiros, mas o propósito é mostrar a coerência dos incoerentes comunistas. Pois bem, a maior de suas coerências é seguiram as cartilhas do improdutivo sanguessuga Karl Marx, dos genocidas Stálin e Mao, do dissimulado Castro e o inteligentíssimo não operário Antonio Gramsci."
Toledo postou mais comentários em resposta aos outros petistas amigos de Cynara, mas este texto inicial para mim é suficiente. Sua ideia em usar as próprias palavras da jornalista contra ela mesma, foi muito criativa e inteligente. Infelizmente não creio que nada do que se diga, por mais evidente que seja, mude a visão com antolhos dos petistas. É como se estivéssemos sob a maldição de Cassandra.
quinta-feira, novembro 01, 2012
Uma pedra no meio do caminho
Eles perambulam pela cidade indesejáveis, perniciosos... Onde havia vida, sonhos, planos, não há mais. Eles encontraram uma pedra no meio do caminho: o crack. O custo do tropeço? A vida. A pedra que faz tropeçar é a mesma que os esmaga. Os mortos-vivos não têm lugar, não se encaixam em nenhum espaço. O fim vêm rápido, mas a fila de novos candidatos à vaga deixada não pára de crescer. Quem será capaz de sanar essa doença? Quem será capaz de deter a ameaça? Quem será capaz de colocar uma pedra em cima dessa pedra? Aaah, Deus... Há Deus!
quarta-feira, setembro 07, 2011
O "desfile" militar de 7 de Setembro do Complexo do Alemão
Local: Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, Brasil.
Exército, Polícias Civil e Militar e o Bope tomam conta das ruelas das Comunidades, a pé ou a bordo de blindados, "Caveirões", carros ou motos. Helicópteros sobrevoam o lugar, com militares empunhando seus fuzis. Para a data, não seria de se estranhar toda essa movimentação. Afinal, o país comemora o Dia da Independência. As principais avenidas de diversas capitais do Brasil recebem seus heróis fardados em desfiles comemorativos. Brasileiros de todas as idades vão às ruas, bem cedo, com suas bandeirinhas em punho para assistirem a tradicional Parada de 7 de Setembro e evocar os mais nobres sentimentos cívicos e patrióticos.
Exército, Polícias Civil e Militar e o Bope tomam conta das ruelas das Comunidades, a pé ou a bordo de blindados, "Caveirões", carros ou motos. Helicópteros sobrevoam o lugar, com militares empunhando seus fuzis. Para a data, não seria de se estranhar toda essa movimentação. Afinal, o país comemora o Dia da Independência. As principais avenidas de diversas capitais do Brasil recebem seus heróis fardados em desfiles comemorativos. Brasileiros de todas as idades vão às ruas, bem cedo, com suas bandeirinhas em punho para assistirem a tradicional Parada de 7 de Setembro e evocar os mais nobres sentimentos cívicos e patrióticos.
Mas lá no Complexo do Alemão, a história é outra. Nesse "desfile" não há o que se comemorar. As crianças não são levadas às ruas, mas sim tiradas delas às pressas. As mãos dos cidadãos não seguram bandeirinhas, mas põem-se em posição de defesa, tentando proteger o que nem blindado protege. O corre-corre não é para achar o melhor lugar para assistir a Parada e ver de perto os imponentes armamentos bélicos militares, e sim para se esconder das munições - perdidas ou endereçadas - que saem dessas mesmas armas empunhadas por heróis e bandidos. O barulho que se ouve não é da banda e sim dos tiros que mudam de tom conforme o tipo de arma.
Independência? "Este" Brasil ainda não sabe o que é isso. Mas torcemos para que essa gente, que é tão brasileira quanto nós, possa ter o seu 7 de Setembro também.
sexta-feira, setembro 02, 2011
O bonde do descaso!
O bonde virou e 5 vidas se foram. Este foi o saldo, ou melhor, o débito (mais um) registrado na conta do governo do Estado do Rio de Janeiro no acidente com o bondinho de Santa Tereza, que vitimou fatalmente 5 pessoas e feriu outras 57, no sábado, dia 24. Justamente a 5 dias do bairro histórico comemorar os 115 anos da sua maior atração: os bondes. Ao invés de festividades no bairro, o que se viu foi luto, protestos, revolta e tristeza. Ao invés de eventos oportunistas de políticos se aproveitando da data para aparecer, o que se viu foram declarações forçadas e desencontradas, de autoridades que não conseguiram fugir da imprensa e tiveram que colocar a cara à tapa. Governador e Secretário de Transportes sem explicações plausíveis, atiraram pra todo lado, tentando inclusive vilanizar quem era a maioir vítima na história: o motorneiro. Só que o bonde que eles tentaram embarcar já estava andando há muito tempo. Outros acidentes sérios já envolveram o bondinho recentemente. Em junho, um turista francês de 24 anos morreu depois de despencar de um bonde que passava sobre os arcos da Lapa, no centro do Rio. Em 2009, uma professora de 29 anos foi atropelada ao tentar saltar de um bonde que perdeu o freio e bateu em um táxi. Ou seja, era apenas questão de tempo para uma tragédia maior acontecer.
Houve até quem dissesse: "o que esperar desses bondes após 115 anos?" Ora, os de Milão, na Itália, têm 4 séculos e funcionam em perfeita e total segurança. Próxima desculpa...
O fato é que a população não engoliu e nem vai mais engolir desculpas esfarrapadas e cobra providências. Não providências paliativas, não maquiagem para mascarar a incompetência e a omissão do Estado. A população quer soluções verdadeiras e definitivas. Não adianta culpar quem tá morto, exonerar quem segue ordens superiores. Ninguém quer ouvir mais que vão fazer e acontecer. Queremos VER fazerem e acontecer.
Se tratam assim um ponto turístico, algo que traz dinheiro para a cidade? O que pensar sobre como lidam com todo o resto, que para eles pode ser entendido apenas como "gasto" em benefício da população?
Esse bonde do terror não se resolve com UPP. A solução desses bondes é bem mais simples do que tomada de morro. Então, chega de pegar o bonde andando, governador! Basta vontade e gente competente.
quinta-feira, novembro 04, 2010
Lei do Direito Autoral: Novas mídias, novas leis
Depois de adiamentos sucessivos e muita discussão – principalmente entre o Ministério da Cultura (MinC) e as entidades de arrecadação privada - foi lançada, dia 1º de novembro, a consulta pública que ajudará a definir o texto da reforma da Lei de Direitos Autorais. A consulta pública será totalmente online.
“Eu acho que o processo demorou bastante. Poderia ter sido concluído há um ano e meio”, critica Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O grupo participa da Rede pela Reforma da Lei de Direito Autoral, que reúne 20 organizações (como CTS-FGV, UNE e Idec).
Mas se de um lado havia pressão pela aprovação, de outro o MinC também enfrentou resistência das entidades privadas contrárias à mudança. A Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) diz, por exemplo, que a lei 9.610 é atual e precisa só de retoques.
Para Pablo Ortellado, a reforma da lei traz avanços importantes, mas poderia trazer mudanças mais ousadas – como a diminuição dos prazos de proteção (que continua a ser de 70 anos) e a regulação do compartilhamento na internet. “Poderíamos aproveitar essa janela de oportunidade”, sugere. “É preciso falar mais em trazer remuneração pela música na internet”, sugere o produtor Pena Schmidt, que, junto de Ortellado, também assina o manifesto pela mudança da LDA. “Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”
>> Entendenda melhor as mudanças na lei AQUI.
>> Entrevista com os músicos Roger e Leoni AQUI
Fonte: Ministério da Cultura
“Eu acho que o processo demorou bastante. Poderia ter sido concluído há um ano e meio”, critica Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O grupo participa da Rede pela Reforma da Lei de Direito Autoral, que reúne 20 organizações (como CTS-FGV, UNE e Idec).
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| Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Gpopai (Foto: Socialismo.org) |
Mas se de um lado havia pressão pela aprovação, de outro o MinC também enfrentou resistência das entidades privadas contrárias à mudança. A Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) diz, por exemplo, que a lei 9.610 é atual e precisa só de retoques.
“Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”
Pena Schmidt, produtor
Para Pablo Ortellado, a reforma da lei traz avanços importantes, mas poderia trazer mudanças mais ousadas – como a diminuição dos prazos de proteção (que continua a ser de 70 anos) e a regulação do compartilhamento na internet. “Poderíamos aproveitar essa janela de oportunidade”, sugere. “É preciso falar mais em trazer remuneração pela música na internet”, sugere o produtor Pena Schmidt, que, junto de Ortellado, também assina o manifesto pela mudança da LDA. “Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”
>> Entendenda melhor as mudanças na lei AQUI.
>> Entrevista com os músicos Roger e Leoni AQUI
Fonte: Ministério da Cultura
O que muda na nova Lei do Direito Autoral
A principal diferença na nova legislação prevê um espaço para uso amigável e também mais flexibilidade para os autores discutirem prazos e condições de cessão de direitos, além da criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral responsável por regular a atuação das entidades privadas. Esse é o ponto mais criticado pelas entidades de arrecadação, que acusam o MinC de estatização. O Ministério prefere definir as mudanças como a “criação da figura de um ‘Estado indutor’”.
Por ser tão restritiva, a legislação anterior, a lei 9.610, de 1998, foi considerada pela ONG Consumers International como a sétima pior do mundo em termos de acesso à educação. Ao pé da letra, a atual LDA proíbe fotocopiar livros para fins educativos, copiar obras para fim de conservação e usar pequenos trechos para remix. A nova legislação deve criar mecanismos para legalizar esses três exemplos.
“A ideia é ter um mecanismo para os autores ficarem mais independentes”, diz Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do MinC. Além disso, “a proposta é que 50% do valor da obra vá para o autor”. O Instituto de Direito Autoral não determinará valores, mas definirá regras básicas de atuação das entidades de arrecadação. “É meio obrigatório existir gestão coletiva. Mas esses órgãos precisarão ser registrados no ministério.”
Acesso. A legislação não só deve proteger e garantir que o autor receba por sua criação mas também garantir que o público tenha acesso aos bens culturais – e é esse o ponto criticado pela Consumers International. O novo projeto de lei deverá prever uma série de exceções e limitações para que, por exemplo, seja permitido digitalizar um filme cujo diretor não seja mais localizável. E também regulamentará o remix, a possibilidade de uso de pequenos trechos da obra. “A ideia é criar flexibilidade para que se possa usar uma obra sem infringir os direitos autorais”, diz Barrichello.
Fonte: Ministério da Cultura
Por ser tão restritiva, a legislação anterior, a lei 9.610, de 1998, foi considerada pela ONG Consumers International como a sétima pior do mundo em termos de acesso à educação. Ao pé da letra, a atual LDA proíbe fotocopiar livros para fins educativos, copiar obras para fim de conservação e usar pequenos trechos para remix. A nova legislação deve criar mecanismos para legalizar esses três exemplos.
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| Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em dir. autorais do MinC (Foto: O Povo online) |
“A ideia é ter um mecanismo para os autores ficarem mais independentes”, diz Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do MinC. Além disso, “a proposta é que 50% do valor da obra vá para o autor”. O Instituto de Direito Autoral não determinará valores, mas definirá regras básicas de atuação das entidades de arrecadação. “É meio obrigatório existir gestão coletiva. Mas esses órgãos precisarão ser registrados no ministério.”
Acesso. A legislação não só deve proteger e garantir que o autor receba por sua criação mas também garantir que o público tenha acesso aos bens culturais – e é esse o ponto criticado pela Consumers International. O novo projeto de lei deverá prever uma série de exceções e limitações para que, por exemplo, seja permitido digitalizar um filme cujo diretor não seja mais localizável. E também regulamentará o remix, a possibilidade de uso de pequenos trechos da obra. “A ideia é criar flexibilidade para que se possa usar uma obra sem infringir os direitos autorais”, diz Barrichello.
Fonte: Ministério da Cultura
Roger e Leoni resolveram usar a Internet a seu favor
Entrevistados por: Monica Marinho
Ele é compositor e vocalista de uma das bandas de rock brasileiras que mais fez sucesso nos anos 80 e uma das poucas da época que se mantém nas paradas de sucesso até hoje. Ele é Roger Rocha Moreira, ou simplesmente o Roger do Ultraje a Rigor. Irreverente, debochado e com letras ousadas como “P*Q*P* Brasil” e “Pelado”, além de hits que marcaram uma geração como “Inútil” e “Rebelde Sem Causa”, o cantor não se mostra muito diferente ao emitir sua opinião a respeito do projeto para as alterações da Lei de Direito Autoral 9.610/98, que descriminaliza a cópia privada, sem finalidade comercial de obras que não constem em catálogo e oficializa mashups musicais. Sobre a primeira parte do novo texto, ele diz:
_ Já é o que eu faço. E os meus discos não estão em catálogo, o que é um absurdo! Mas entendo que é complicado para o lojista manter todos esses discos na loja. Aí entra a internet para resolver o problema. Faço as músicas para o pessoal ouvir, e como a galera não as consegue pelos meios normais, disponibilizo. É uma tentativa de suprir essa falha no mercado. _ declara o roqueiro, que oferece suas músicas em seu site oficial, gratuitamente, através de um link que direciona seus fãs para a página do ReverbNation, um serviço que trabalha sobre o nicho das redes sociais, oferecendo um espaço para que o artista divulgue seu trabalho pela internet. “Inscrito no ReverbNation, você encontrará tanto bandas iniciantes como bandas já conhecidas do público como Living Colour, Nine Inch Nails, Slayer e nós mesmos”, explicou Roger ao site Música Líquida. Mas a concordância de Roger com o pré-projeto de lei pára por aí. Sobre o assunto “oficialização dos mashups”, o paulistano manifesta a sua indignação:
_ Aí é oficializar o roubo! Esse negócio do cara gravar um pedaço da minha música e passar pra CD é um absurdo. Quer dizer que posso pegar pedaços de várias músicas clássicas e lançar uma sinfonia? _ ironiza.
Para Roger, a indústria da música tem que se adequar às novas realidades. Idéias não faltam e entre elas está o resgate da antiga cultura dos “compactos” - discos com dois ou quatro hits, com preços bem acessíveis, que serviria principalmente para o lançamento e a divulgação de novas bandas. Outra idéia interessante dada por Roger foi a gravação de um CD, em mp3, com toda a obra do Ultraje, a um preço acessível. Sugestão essa que não foi aproveitada.
_ As gravadoras sabem que é o fim delas. Ainda é incipiente, mas é por pouco tempo. Tem que se adaptar, mas é um processo demorado. Eu sugeri há alguns anos, à minha antiga gravadora, lançar todo o nosso repertório em um só disco, em mp3, mas não houve interesse. Eles têm regras que não podem ‘quebrar’. Mas seria ótimo para combater a pirataria. Você vai lá e comprar toda a obra do Ultraje em um ou dois CDs. E poderia ser vendido quase a preço de custo: 5, 10 reais. Mas não fazem. O cara quer ver a cor do dinheiro. Até a TV está sentindo o baque da Internet. E não são apenas as empresas que são prejudicadas, o artista e a mentalidade do público também. Hoje em dia, ninguém está a fim de apostar na qualidade. O cara quer o retorno rápido. E o que acontece é que o gosto musical está deteriorando muito.
Falando em Informática e mundo virtual, uma das últimas composições de Roger trata justamente desse tema e, pasmem, foi feita para uma criança: a apresentadora Maísa Silva, de 5 anos, do programa Sábado Animado, do SBT, e se chama “Ô, tio!”.
_ Na música é como se ela estivesse ensinando um cara que não sabe mexer no computador. Isso é uma coisa que acontece com a minha geração. _ diz Roger, que é uma exceção. Ele participa ativamente de sites de relacionamentos como o Facebook e usa diariamente o Twitter. Sobre lançamento de novo CD, Roger deixa claro que não tem pressa, mas tranqüiliza os ansiosos fãs:
_ As músicas vão surgindo e vou disponibilizando na internet. Mas é um trabalho bem a longo prazo. Um dia, quando juntar umas 13, a gente pode lançar um CD. O meu trabalho, hoje em dia, se resume mais a fazer show do que compor.
A discussão sobre o projeto de reforma da Lei do Direito Autoral foi ainda mais ampliada pelo compositor, músico e cantor Carlos Leoni Rodrigues Siqueira Júnior, o Leoni, ex-Kid Abelha e ex-Heróis da Resistência. Com carreira solo desde 1993, ele faz côro com Roger, do Ultraje a Rigor, sobre a primeira parte do novo texto da lei que permite cópias privadas de CD ou DVD, sem fins comerciais, para obras fora de catálogo. Até porque é exatamente o que ele faz em seu site e através do movimento do qual participa, o “Música para Baixar”, sob o mote: “não é pirata, é divulgador” . O intuito do movimento é servir de vitrine para novos trabalhos, disponibilizando-os para o público na Internet, gratuitamente. Dependendo da aceitação e da repercussão, esses trabalhos acabam chegando às rádios e despontando no cenário musical. Leoni dá suas músicas inéditas via web, desde julho de 2008. “Esse ano, vou lançar um CD com essas mesmas músicas porque as pessoas estão pedindo. Então, não atrapalha em nada”, declara Leoni. A seu ver, o internauta que baixa música sem pagar não deveria ser criminalizado, afinal, ele não está ganhando dinheiro com o trabalho dos autores. Nem mesmo a queda na vendagem de CDs e, consequentemente, o golpe no bolso dos compositores, faz Leoni mudar seu discurso. Para ele, não é proibindo as pessoas de baixarem música que vão conseguir obrigá-las a voltar a comprar CD.
_ Elas não vão voltar. Tem sempre uma outra possibilidade de baixar. Tenho um amigo que costuma dizer o seguinte: “Na internet todo cuidado é inútil” _ diz.
Em relação à oficialização de mashups, Leoni vê como desnecessária a criação de uma lei específica, já que não considera este um mercado tão importante, apenas de nicho.
_ Não vejo as pessoas consumindo mashups como consomem músicas em geral. Se o cara que faz não está ganhando dinheiro com isso, não me importo. Mas se está lucrando, acho justo que ele remunere os autores que fizeram parte daquele trabalho. Mas é complicado controlar. _ questiona.
Leoni sugere que assuntos mais importantes sejam incluídos na lei como, por exemplo o fim da divisão social no que diz respeito ao acesso da população às obras sem que tenham que pagar tão caro por isso.
_ A maioria dos compositores ainda vê o sistema como era antigamente: vender disco e ganhar dinheiro. Tem muita gente que reclama do Ecad e das sociedades que nos representam devido a essa postura muito rígida, mas o que elas fazem é defender o direito dos seus autores. E se os autores dizem que querem ser defendidos dessa forma, isso nunca vai mudar. Por isso, nós, que pensamos diferente, temos que nos posicionar. Os compositores, os artistas, devem parar de reclamar e agir, inventar novos caminhos _ conclui.
| Foto: Monica Marinho |
"Faço as músicas para o pessoal ouvir, e como a galera não as consegue pelos meios normais, disponibilizo"
Roger, Ultrage a Rigor
Ele é compositor e vocalista de uma das bandas de rock brasileiras que mais fez sucesso nos anos 80 e uma das poucas da época que se mantém nas paradas de sucesso até hoje. Ele é Roger Rocha Moreira, ou simplesmente o Roger do Ultraje a Rigor. Irreverente, debochado e com letras ousadas como “P*Q*P* Brasil” e “Pelado”, além de hits que marcaram uma geração como “Inútil” e “Rebelde Sem Causa”, o cantor não se mostra muito diferente ao emitir sua opinião a respeito do projeto para as alterações da Lei de Direito Autoral 9.610/98, que descriminaliza a cópia privada, sem finalidade comercial de obras que não constem em catálogo e oficializa mashups musicais. Sobre a primeira parte do novo texto, ele diz:
_ Já é o que eu faço. E os meus discos não estão em catálogo, o que é um absurdo! Mas entendo que é complicado para o lojista manter todos esses discos na loja. Aí entra a internet para resolver o problema. Faço as músicas para o pessoal ouvir, e como a galera não as consegue pelos meios normais, disponibilizo. É uma tentativa de suprir essa falha no mercado. _ declara o roqueiro, que oferece suas músicas em seu site oficial, gratuitamente, através de um link que direciona seus fãs para a página do ReverbNation, um serviço que trabalha sobre o nicho das redes sociais, oferecendo um espaço para que o artista divulgue seu trabalho pela internet. “Inscrito no ReverbNation, você encontrará tanto bandas iniciantes como bandas já conhecidas do público como Living Colour, Nine Inch Nails, Slayer e nós mesmos”, explicou Roger ao site Música Líquida. Mas a concordância de Roger com o pré-projeto de lei pára por aí. Sobre o assunto “oficialização dos mashups”, o paulistano manifesta a sua indignação:
A irreverência sempre foi a marca de Roger (Foto:MonicaMarinho)
Para Roger, a indústria da música tem que se adequar às novas realidades. Idéias não faltam e entre elas está o resgate da antiga cultura dos “compactos” - discos com dois ou quatro hits, com preços bem acessíveis, que serviria principalmente para o lançamento e a divulgação de novas bandas. Outra idéia interessante dada por Roger foi a gravação de um CD, em mp3, com toda a obra do Ultraje, a um preço acessível. Sugestão essa que não foi aproveitada.
_ As gravadoras sabem que é o fim delas. Ainda é incipiente, mas é por pouco tempo. Tem que se adaptar, mas é um processo demorado. Eu sugeri há alguns anos, à minha antiga gravadora, lançar todo o nosso repertório em um só disco, em mp3, mas não houve interesse. Eles têm regras que não podem ‘quebrar’. Mas seria ótimo para combater a pirataria. Você vai lá e comprar toda a obra do Ultraje em um ou dois CDs. E poderia ser vendido quase a preço de custo: 5, 10 reais. Mas não fazem. O cara quer ver a cor do dinheiro. Até a TV está sentindo o baque da Internet. E não são apenas as empresas que são prejudicadas, o artista e a mentalidade do público também. Hoje em dia, ninguém está a fim de apostar na qualidade. O cara quer o retorno rápido. E o que acontece é que o gosto musical está deteriorando muito.
Falando em Informática e mundo virtual, uma das últimas composições de Roger trata justamente desse tema e, pasmem, foi feita para uma criança: a apresentadora Maísa Silva, de 5 anos, do programa Sábado Animado, do SBT, e se chama “Ô, tio!”.
_ Na música é como se ela estivesse ensinando um cara que não sabe mexer no computador. Isso é uma coisa que acontece com a minha geração. _ diz Roger, que é uma exceção. Ele participa ativamente de sites de relacionamentos como o Facebook e usa diariamente o Twitter. Sobre lançamento de novo CD, Roger deixa claro que não tem pressa, mas tranqüiliza os ansiosos fãs:
_ As músicas vão surgindo e vou disponibilizando na internet. Mas é um trabalho bem a longo prazo. Um dia, quando juntar umas 13, a gente pode lançar um CD. O meu trabalho, hoje em dia, se resume mais a fazer show do que compor.
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| Foto: Fábio Vizzoni |
“ Nós, que pensamos diferente, temos que nos posicionar. Os compositores, os artista, devem parar de reclamar e agir, inventar novos caminhos” Leoni
A discussão sobre o projeto de reforma da Lei do Direito Autoral foi ainda mais ampliada pelo compositor, músico e cantor Carlos Leoni Rodrigues Siqueira Júnior, o Leoni, ex-Kid Abelha e ex-Heróis da Resistência. Com carreira solo desde 1993, ele faz côro com Roger, do Ultraje a Rigor, sobre a primeira parte do novo texto da lei que permite cópias privadas de CD ou DVD, sem fins comerciais, para obras fora de catálogo. Até porque é exatamente o que ele faz em seu site e através do movimento do qual participa, o “Música para Baixar”, sob o mote: “não é pirata, é divulgador” . O intuito do movimento é servir de vitrine para novos trabalhos, disponibilizando-os para o público na Internet, gratuitamente. Dependendo da aceitação e da repercussão, esses trabalhos acabam chegando às rádios e despontando no cenário musical. Leoni dá suas músicas inéditas via web, desde julho de 2008. “Esse ano, vou lançar um CD com essas mesmas músicas porque as pessoas estão pedindo. Então, não atrapalha em nada”, declara Leoni. A seu ver, o internauta que baixa música sem pagar não deveria ser criminalizado, afinal, ele não está ganhando dinheiro com o trabalho dos autores. Nem mesmo a queda na vendagem de CDs e, consequentemente, o golpe no bolso dos compositores, faz Leoni mudar seu discurso. Para ele, não é proibindo as pessoas de baixarem música que vão conseguir obrigá-las a voltar a comprar CD.
_ Elas não vão voltar. Tem sempre uma outra possibilidade de baixar. Tenho um amigo que costuma dizer o seguinte: “Na internet todo cuidado é inútil” _ diz.
Em relação à oficialização de mashups, Leoni vê como desnecessária a criação de uma lei específica, já que não considera este um mercado tão importante, apenas de nicho.
Leoni entra na discussão sem medo de contrariar (Foto cedida)
_ Não vejo as pessoas consumindo mashups como consomem músicas em geral. Se o cara que faz não está ganhando dinheiro com isso, não me importo. Mas se está lucrando, acho justo que ele remunere os autores que fizeram parte daquele trabalho. Mas é complicado controlar. _ questiona.
Leoni sugere que assuntos mais importantes sejam incluídos na lei como, por exemplo o fim da divisão social no que diz respeito ao acesso da população às obras sem que tenham que pagar tão caro por isso.
_ A maioria dos compositores ainda vê o sistema como era antigamente: vender disco e ganhar dinheiro. Tem muita gente que reclama do Ecad e das sociedades que nos representam devido a essa postura muito rígida, mas o que elas fazem é defender o direito dos seus autores. E se os autores dizem que querem ser defendidos dessa forma, isso nunca vai mudar. Por isso, nós, que pensamos diferente, temos que nos posicionar. Os compositores, os artistas, devem parar de reclamar e agir, inventar novos caminhos _ conclui.
sábado, outubro 30, 2010
Overdose de rock no Clube Outs com Aurélio e Seus Cometas, Banda Hedonic e Bratslava
Mesmo com um atraso de duas horas nas apresentações - a previsão era para a primeira banda subir ao palco às 23h - a madrugada de sábado (30) no Clube Outs, na capital paulista, foi insana. Uma verdadeira overdose de rock para todos os gostos. Aurélio e Seus cometas presenteou o público da casa com duas bandas novas: Hedonic e Bratslava. Foram mais de 3 horas de puro rock'n'roll, nacional e internacional: de Beatles a Iron Maden, passando pelos clássicos do iê-iê-iê, Mutantes e Raul Seixas.
Os grupos convidados empataram o primeiro lugar em um concurso realizado no último dia 25 de setembro, no Colégio Nossa Senhora do Morumbi. Além do convite para tocar com o Aurélios, eles irão gravar um single no final do ano, pela produtora Nebulosa Music.
| O Bratslava abriu a noite no Outs |
Apesar de as duas bandas terem ocupado a mesma classificação no concurso, quem realmente levantou a galera na madrugada foi o Hedonic. Os cinco jovens mostraram atitude, reverência e ousadia. Com muito talento, carisma e bem performático, o vocalista Rodolfo Brant, de apenas 17 anos, levou o público ao delírio e mostrou que a banda promete. Os rapazes, cujo integrante mais velho tem 21 anos, apresentaram em seu repertório Beatles, Oasis e composições próprias, incluindo até um solo de guitarra de Thomas Togni. Também integram a banda o baixista Átila Cortez, o guitarrista Carlos Dissenha e o baterista Pedro Henrique Dissenha.
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| Banda Hedonic levanta o público do Outs com o puro rock |
"Eu sou um cretino. As duas bandas convidadas estão me agradecendo por tê-los trazido pra tocar no Outs, mas eu é que tenho que agradecer. Sabe por que? Porque eles são bons pra c*", mandou Emir Ruivo, vocalista do Aurélios e produtor musical, antes de iniciar o show com sua banda, que fechou a noite.
| Aurélio e Seus Cometas: dando chance aos novos talentos Matérias relacionadas: |
Vídeo do Aurélio e Seus Cometas, com "Clube dos Descontentes"
By GangrenaDiario
Vídeo da Banda Hedonic tocando Cigarettes & Alcohol (Oasis Cover), abrindo com solo de guitarra de Thomas Togni.
By ThomTogni
OBS: Não faltou nem o tombo do Rodolfo Brant, que já está virando marca do vocalista em suas apresentações (reparem aos 3'05' do vídeo')
quarta-feira, outubro 27, 2010
Só um lembrete do Quintana
O TEMPO
'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são seis horas!Quando se vê, já é sexta-feira!Quando se vê, já é natal...Quando se vê, já terminou o ano...Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.Quando se vê passaram 50 anos!Agora é tarde demais para ser reprovado...Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.'
Mário Quintana
sábado, outubro 02, 2010
Eleições: Depois de tantas piadas, amanhã é o dia da maior de todas!
Essa é a eleição do tributo à ignorância e à piada pronta! Uma boa é aquela do título de eleitor, que de última hora e à toque de caixa, em votação feita pelo Superior Tribunal Federal (STF), decidiram que é totalmente dispensável pra votar, mas indispensável pra tirar passaporte e se inscrever em concurso público. KKKKKKKKKK! Também tem aquela do Ficha Limpa que valia, mas deixou de valer e ficará num impasse até depois das eleições. Enquanto isso, os "listados" na tal ficha permanecem com seus nomezinhos lá na urna eletrônica. Muitos aproveitaram a lerdeza dessa votação (bem diferente do que ocorreu com a história do título de eleitor) e arrumaram um jeitinho de burlar a possível lei, colocando mulher, filho, nora, genro e, se der mole, até o papagaio em seu lugar.
Seria, merecidamente, o maior símbolo dessa eleição, o candidato-comediante Tiririca, com seu ilusório jargão: "Pior do que tá não fica". Ah, fica, Tiririca! Aliás, o "abestado", como o próprio se define, quase teve sua candidatura retirada por suspeitarem que era analfabeto. Talvez ele não tenha escolhido o cargo devidamente. Pelo que parece, as exigências curriculares para se candidatar à deputado federal são maiores do que para candidatos à presidência da República. Se assim não fosse, como explicar o Lulá lá?
Mas amanhã é o dia! De que exatamente eu não sei, já que está mais do que evidente o que vai dar. Os institutos de pesquisa são unânimes. Mas, ainda assim vou cumprir minha obrigação. Votarei! E, se bebesse, iria de cara cheia, pois amanhã tá liberada a bebida. Nada de "Lei Seca Eleitoral" (pelo menos aqui em Sampa). Acho que já fizeram isso pra amenizar o sofrimento do eleitor consciente. O melhor é estar meio inconsciente.
Ah, já ia deixando passar essa última piada. O horário previsto pelo TSE para a divulgação dos resultados das urnas? Meia-noite de segunda-feira. Pra combinar mais com esse sabido resultado, o ideal era que fosse uma sexta-feira 13 (13? - rs). Sinisssssstro!
Ah, já ia deixando passar essa última piada. O horário previsto pelo TSE para a divulgação dos resultados das urnas? Meia-noite de segunda-feira. Pra combinar mais com esse sabido resultado, o ideal era que fosse uma sexta-feira 13 (13? - rs). Sinisssssstro!
Boa sorte!
Fecho o post com o show na íntegra de Danilo Gentili: "Politicamente incorreto".
domingo, julho 18, 2010
A Copa passou! Agora o assunto no Brasil é... hãm... Copa de 2014!?
Bem, a Copa passou, o Brasil não foi hexa, a Argentina de Maradonna e Messi voltou pra casa com o rabinho entre as pernas, e, quem diria, um polvo vidente foi a grande sensação do campeonato mundial de futebol. Com tantos animais na África, nenhum foi "abençoado" com o dom, mas sim um polvo alemão com nome inglês: Paul.Mas, enfim, tudo isso passou. As vuvuzelas cessaram (graças a Deus!) e, agora, é jabulani pra frente. A próxima preocupação do brasileiro são as eleições presidenciais. Não? É o quê? Copa de 2014? De novoooooo????
Alguém aí pergunta pro polvo, por favor, quem vai ser o (a) próximo (a) presidente do país? Assim a galera não precisa pensar muito (já que esse não tem sido o forte do povo por aqui) e só confirma nas urnas o que nos está 'destinado'. Assim, sobra mais tempo pro pessoal 'trabalhar' na esperada Copa de 2014. Aliás, o mascote da próxima Copa poderia ser o "Zé po(l)vinho". Tudo a ver!
Então, que venha Copa de 2014! Isso, se uma outra previsão não se confirmar antes: o fim do mundo em 2012. Bem, dependendo do que o polvo dissesse sobre os resultados da votação no Brasil, acho que um Armagedom seria bem-vindo por aqui.
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